“Desde há um ano para cá tem-se vindo a registar um crescimento de vendas. Este ano tem sido muito mais elevado esse crescimento porque os bancos decidiram financiar”, a explicação é de Hugo Silva, especialista em imobiliário.

Só no primeiro trimestre foram transacionados mais de 25 mil e 700 imóveis em Portugal, um valor que representa um aumento de 38 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. 

“Até para nós, que estávamos no mercado, está a superar as expectativas”, confessa Hugo Silva. Para o conhecedor do mercado, que esteve esta quarta-feira no programa Diário da Manhã, da TVI, a mudança de atitude dos bancos é um dos motivos para a subida.
 

“Estão a financiar com muito mais vontade, a baixar spreads significativamente e a procurar mais condições para os clientes…”, acrescenta.


Mas essa não é a única nova tendência. Agora, há também mais portugueses a procurar casa nova, em vez de uma habitação em segunda mão. A venda de casas novas aumentou quase 15%, enquanto as casas em segunda mão desceram cerca de 47%. E apesar do valor comercial dos imóveis ter também sofrido um acréscimo de 0,8%, os valores continuam mais baixos do que há cinco anos, no início da crise.

Hugo Silva não tem dúvidas que “o português tem uma tendência natural para facilitar” e que, por isso, “prefere o novo”. Mas também não tem dúvidas que o melhor negócio continua a ser ”comprar, remodelar e ficar com casa nova”, só que esta opção “dá mais chatices”.


A procura de casas novas também está a levar a uma subida na construção. “Estamos a começar a construir de novo em Portugal. Agora, a procura também é maior e os construtores querem construir”. Mas não só “também havia obras paradas que estão finalmente a avançar, seja construções novas ou reabilitações”.

Apesar da maior procura e dos spreads mais baixos, Hugo Silva, considera que os compradores devem estar atentos porque “os bancos estão a compensar isso com acréscimo de outras taxas”. Taxas ou comissões “muito difíceis de negociar” e que estão nas letras pequeninas no final dos contratos.

“Os bancos estão a baixar rapidamente os spreads”, afirma. “Há uns meses atrás estávamos com spreads médios de 3 a 3,5 %. Hoje, com 20% de capital de entrada, qualquer português consegue 1,9 ou 1,8%”, explica o especialista na área do imobiliário.


Outro alerta deixado por Hugo Silva prende-se com a aplicação das taxas Euribor. Os bancos “estão também a tentar aplicar taxas a 12 meses”. Mas não só esta taxa “é a mais cara, como também se houver uma evolução de preços, seja para cima ou para baixo, é a que sofre mais”. Na sua opinião a melhor taxa Euribor é a taxa de três meses por “uma questão de mentalização”. “A taxa vai subir” e, assim, “ o aumento é gradual, menos doloroso”, conclui.