
O Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social garantiu esta sexta-feira que foram desencadeadas as iniciativas de fiscalização sobre o não-pagamento dos salários dos funcionários da Cerâmica de Valadares, em Gaia, em regime de layoff desde junho.
À margem de uma visita à sede nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza, no Porto, Marco António Costa disse que se a Cerâmica de Valadares estiver a usar o dinheiro do layoff para outro fim que não seja o pagamento de salários aos funcionários estará a cometer um «crime».
«Se fizer isso, a empresa está a cometer um crime, e a partir do momento em que esse assunto foi noticiado foram despoletadas as iniciativas decorrentes dessa situação», declarou, segundo a Lusa, sem acrescentar mais nada sobre o assunto.
Os representantes dos trabalhadores da Cerâmica de Valadares foram entretanto ouvidos pela Autoridade das Condições de Trabalho (ACT), no Porto, tendo recebido a garantia de que a ACT irá intervir para que sejam pagos os salários em atraso.
Daniel Gonçalves, da Comissão de Trabalhadores, disse aos jornalistas que o responsável da ACT admitiu a ilegalidade da situação, garantindo que ainda hoje entraria em contacto com a administração da Valadares.
Os cerca de 200 trabalhadores que se encontram em situação de lay-off desde junho têm em atraso os salários de maio, julho e subsídio de férias.
O salário de julho já foi entregue pela Segurança Social à administração da empresa de cerâmica, mas o dinheiro ainda não chegou às mãos dos trabalhadores.
«Esta situação é ilegal e se a empresa não cumprir as suas obrigações o lay-off pode ser cancelado e a empresa encerrada. Não é isso o que nós queremos, o que queremos é o nosso posto de trabalho», afirmou Daniel Gonçalves.
O responsável disse ainda que terça-feira de manhã será realizado um plenário de trabalhadores para fazer o ponto da situação.
Neste protesto, os trabalhadores da Cerâmica de Valadares contaram com o «apoio e solidariedade» da ex-eurodeputada e dirigente do PCP Ilda Figueiredo.
«É inadmissível o que está acontecer, é preciso que alguém ponha termo a esta situação completamente ilegal. O dinheiro que foi pago pela Segurança Social é dos trabalhadores, não é da empresa».
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