O coordenador da Federação dos Sindicatos do Setor da Pesca, Frederico Pereira, considerou hoje que o acordo alcançado em Bruxelas que prevê um aumento de 11,4% das capturas em águas portuguesas, em 2016, “não é mau de todo”.

“Sem prejuízo de uma análise mais aprofundada do acordo, consideramos que corresponde a algumas preocupações que tínhamos, de modo que não ficamos descontentes de todo. Não é mau de todo”, disse à agência Lusa Frederico Pereira.

Os pescadores portugueses poderão capturar, em 2016, em águas nacionais, mais 11,4% de pescado do que este ano, num total de 63.524 toneladas, foi acordado esta madrugada em Bruxelas após uma longa maratona negocial.

Segundo o acordo, o carapau é o peixe que pode ser mais capturado, tendo sido autorizada a pesca de 50.839 toneladas, seguindo-se o biqueirão (5.542 toneladas) e a pescada (3.097 toneladas).

A quota de lagostim sobe 26%, acima dos 20% inicialmente propostos pela CE, e a de raias mantém-se, quando inicialmente estava previsto um corte de 10%.

Também no caso do tamboril, o corte de 19% foi suavizado para 14%, após cerca de 40 horas de negociações, que começaram na segunda-feira de manhã e terminaram pelas 02:00 de hoje.

Em declarações à Lusa, o coordenador da Federação dos Sindicatos do Setor da Pesca declarou ter ficado preocupado com o facto de a raia permanecer com a mesma quantidade do ano passado, o que corresponde a uma das preocupações daquela estrutura.

“Ficamos também preocupados com a descida do tamboril e da pescada, mas naturalmente congratulamo-nos com a subida do lagostim”, disse.

Quanto ao carapau, Frederico Pereira indicou que o problema desta espécie é que o setor não consegue vender tudo o que captura.

“De qualquer modo, não nos parece um acordo mau. Vamos analisar o acordo com mais pormenor e logo se vê”, concluiu.