O presidente da Câmara de Viana do Castelo anunciou esta sexta-feira que o espólio dos Estaleiros Navais da cidade vai ficar na cidade, «à guarda da fundação Gil Eannes», que gere o navio-museu com o mesmo nome.

A informação foi avançada hoje pelo socialista José Maria Costa no período antes da ordem do dia da reunião ordinária do executivo municipal.

O autarca explicou que a garantia lhe foi transmitida esta semana pela Empordef, a holding pública que tutela os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), com quem se reuniu em Lisboa para acertar a transferência do espólio.

«Trata-se de milhares de peças com valor histórico e patrimonial, desde desenhos e maquetas dos primeiros navios, passando por cartas, fotografias e ferramentas ilustrativas da evolução da construção naval», explicou.

José Maria Costa adiantou também que parte do espólio, sobretudo a documentação e maquetas de navios da frota bacalhoeira nacional, vai ser cedido ao Museu Marítimo de Ílhavo (MMI).

Na semana passada o autarca tinha criticado a possibilidade da totalidade do espólio da empresa pública ser transferida para o MMI, garantindo que «tudo faria» para manter a «memória» dos ENVC na cidade.

«Não vamos permitir que a cidade seja roubada ou espoliada. Já nos bastou a forma como o senhor ministro tratou a cidade e os trabalhadores dos estaleiros», afirmou então à agência Lusa José Maria Costa.

O protocolo de cedência temporária de parte do espólio físico e documental da empresa pública para fins culturais e científicos ao MMI foi assinado em 20 de abril na presença do ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco.

Desde 2012, aquando do lançamento da reprivatização dos ENVC - que depois deu origem à subconcessão e fecho da empresa -, que a autarquia tem vindo a negociar com o Ministério da Defesa Nacional e com a Empordef a cedência deste espólio.

Em março o autarca de Viana já tinha anunciado a intenção de criar um museu dedicado ao espólio dos ENVC. Na altura explicou que uma parte desta coleção ficaria exposta no antigo navio-hospital Gil Eannes - construído há mais de meio século pelos ENVC e entretanto transformado em museu ancorado em Viana do Castelo -, sendo a restante distribuída por outras áreas, como o museu municipal.

«O nosso objetivo é fazer um grande museu dedicado à construção naval, com as diversas tecnologias e instrumentos utilizados ao longo dos tempos. A Câmara Municipal deu garantias ao Estado português de que ira criar um espaço condigno para acolher este material, não só para visitação como também para estudo», explicou.

Fundados a 04 de junho 1944, no âmbito do programa estatal de modernização da frota de pesca do largo, os ENVC começaram a laborar na forma de uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada, com o capital social de 750 contos.

Em quase 70 anos a empresa construiu mais de 220 navios, de todos os tipos, entre militares, de transporte de passageiros e de mercadorias.

Os terrenos e infraestruturas dos ENVC foram hoje, formalmente subconcessionados ao grupo Martifer até 2031.