O secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações afirmou hoje que a privatização dos CTT através da dispersão em bolsa «é o cenário central» que o Governo está a trabalhar, mas ainda não há «confirmação oficial».

Sérgio Monteiro falava aos jornalistas à margem do Dia Mundial dos Correios, num evento na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, dois dias depois de uma fonte ligada ao processo ter confirmado à Lusa de que a privatização dos correios portugueses passaria pela dispersão em bolsa.

Sobre a dispersão em bolsa, o governante adiantou que este é o «cenário central» em que o Executivo está a trabalhar, mas «não há ainda a possibilidade de fazer a confirmação oficial», explicou.

«Estamos a olhar para toda a informação em relação a todo este processo, verificámos que há dois operadores que eram maioritariamente públicos, na Bélgica e no Reino Unido, que muito recentemente optaram pela dispersão em bolsa», disse Sérgio Monteiro.

A dispersão em bolsa «parece ser o modelo que potencialmente gera mais valor aquando da venda, mas é muito importante, independentemente do modelo, sublinhar que o serviço universal postal está garantido para a população».

Sérgio Monteiro adiantou que o cenário que está em cima da mesa prevê a dispersão da «maioria do capital», sendo que neste momento o Governo está a recolher «toda a informação» necessária para a tomada da decisão, que está prevista até final deste mês.

«Julgo que haverá condições para que a decisão possa ser tomada este mês, sem dúvida».

Lembrou ainda que «não é irrelevante o comportamento dos mercados de capitais relativamente a uma operação desta natureza».

«Compete-nos tratar este ativo, cumprir o que está no memorando de entendimento e garantir o serviço universal postal a toda a população».

Questionado sobre potenciais interessados, Sérgio Monteiro afirmou: «Foi bom termos sentido nas últimas semanas» que «vários tipos de investidores a dizer que tinham interesse».

O secretário de Estado escusou-se a adiantar qual o encaixe financeiro previsto.

Na sua intervenção durante a comemoração do Dia Mundial dos Correios, Sérgio Monteiro agradeceu ao presidente dos CTT, Francisco de Lacerda, e à sua equipa, pelo trabalho que tem sido feito na liderança dos correios.

O governante lamentou que hoje, no Dia Mundial dos Correios, haja uma parte dos trabalhadores do setor em greve.

O presidente dos CTT escusou-se a comentar o modelo de dispersão em bolsa dos Correios, referindo que não lhe compete comentar esse tema.

«Estamos preparados para avançar no modelo que o Governo escolher», disse, durante a sua intervenção.