O primeiro-ministro grego não podia ser mais claro: sem uma proposta viável, o seu governo vai assumir a responsabilidade de dizer “o grande não” aos credores.

Alex Tsipras afirmou esta quarta-feira que está empenhado em conseguir “um compromisso honrável” para resolver a crise da dívida, mas garante também que está preparado para assumir a responsabilidade de rejeitar um acordo caso se mantenham “exigências inaceitáveis”.

Numa conferência de imprensa com o chanceler austríaco, em Atenas, o chefe do governo grego afirmou que “um compromisso honrável pode ser alcançado”. “Os meus ministros e eu, e o governo grego inteiro, vamos aplicá-lo e torná-lo possível. Mas se não chegarmos a um compromisso que consigamos honrar e uma solução financeira viável, o governo grego tomará a inteira responsabilidade de dizer “o grande não” à política destrutiva que tem afectado a Grécia”.

                                Manifestantes colocam faixa no Parlamento grego (foto: Reuters)
 

Esta tarde, um grupo de manifestantes colocou uma faixa de apoio ao governo grego, frente ao Parlamento, onde decorre um protesto contra a austeridade, num período particularmente difícil nas negociações com Bruxelas. 

Na manifestação, que decorre numa "atmosfera pacífica", segundo relatam no Twitter alguns dos presentes, podem ler-se outros cartazes anti-austeridade, com palavras de ordem contra a Alemanha e a Europa, num claro apoio ao governo grego que tem mostrado uma posição firme nas negociações com os credores.
 

Especialistas asseguram que Grécia não deve pagar dívida


Uma comissão internacional de especialistas que levam a cabo uma auditoria à dívida pública grega asseguraram esta quarta-feira que a Grécia não deve pagar os montantes contraídos entre 2010 e 2015 porque são fruto de "acordos que violam os direitos humanos".

Em comunicado enviado à agência Efe, esta comissão diz que "não só a Grécia não consegue pagar a dívida, como não deve mesmo pagá-la, porque é proveniente de acordos com a troika que infringem diretamente os direitos humanos dos gregos".