Esta sexta-feira, 18 de março, é o último dia que o Diário Económico vai para as bancas. A administração decidiu suspender a edição em papel, continuando a digital e o ETV.  "É, esperamos todos, uma suspensão temporária", lê-se numa nota assinada por Raul Vaz, Bruno Faria Lopes, Francisco Ferreira da Silva, Tiago Freire.

Na última edição em papel do Diário Económico, ao centro, pode ler-se um "Obrigado" dirigido aos leitores. 

"Reconhecendo a dificuldade do momento, cabe a esta administração deixar duas palavras. A primeira, aos trabalhadores que suportam este projecto. A todos, obrigado. A segunda, aos leitores e aos anunciantes. Esperamos encontrá-los no nosso site e na nossa televisão", escreve ainda a administração na mesma nota publicada no site do Ecónómico

Diz ainda que "estão asseguradas as condições para a marca Económico manter na televisão (ETV) e na plataforma digital (www.economico.pt) uma continuidade na produção de conteúdos de excelência".

A contracapa da última edição do Diário Económico em papel

No passado dia 10 de março, os trabalhadores do Diário Económico realizaram uma greve de 24 horas para reivindicar o pagamento dos salários em atraso, pois “apesar da violação de que são alvo” em relação "a um direito elementar", os trabalhadores “têm assegurado o regular funcionamento da empresa”, disse então à Lusa o delegado sindical e membro da Comissão Instaladora da Comissão de Trabalhadores do Diário Económico, Paulo Jorge Pereira.

Na semana anterior, os trabalhadores do Diário Económico, Económico TV e Economico.pt entregaram o pré-aviso de greve de 24 horas, através do SJ e do Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Media (Sindetelco), esclarecendo que a paralisação seria desconvocada ou suspensa logo que fossem pagos os salários de janeiro.

Entretanto, dois dias antes da greve, a direção editorial do Económico apresentou a demissão do cargo, tendo o administrador Gonçalo Faria de Carvalho afirmado, numa comunicação interna, que iria procurar encontrar "com a maior brevidade possível" uma alternativa para a condução do projeto.

Na carta de demissão enviada à administração, a que a Lusa teve acesso, o diretor, Raul Vaz, e os subdiretores Bruno Faria Lopes, Francisco Ferreira da Silva e Tiago Freire afirmam que, na "sequência da comunicação de 23 de fevereiro, e na ausência de soluções para os constrangimentos às condições de trabalho no Económico então reportadas, a direção editorial apresenta a sua demissão".

A 2 de março, a Ongoing Strategy Investments, ‘holding’ do grupo que detém o Diário Económico, entrou em processo especial de revitalização (PER) de empresas devido às dificuldades financeiras, tendo sido nomeado já um administrador judicial provisório.

O Económico, incluindo televisão e jornal, emprega cerca de 138 pessoas.