Em pleno processo de negociação, que poderá levar à entrada na estrutura acionista dos catalães do CaixaBank, o BPI apresenta resultados positivos, na contas do primeiro semestre do ano.

De acordo com os resultados apresentados, a atividade doméstica deu um contributo de 24,5 milhões de euros e a atividade internacional de 81,4 milhões de euros, dos quais 79,1 milhões de euros provenientes do Banco de Fomento Angola (BFA).

Há dias, ficou adiada por 45 dias a assembleia geral do BPI, destinada a desblindar os estatutos, de forma a facilitar a Oferta Pública de Aquisição lançada pelo CaixaBank.

Em causa está a limitação que todos os acionistas têm de não poder ter mais de 20% dos votos, independentemente da fatia de capital que detenham. Ou seja, nas atuais condições, mesmo que tenha 45% das, o voto do CaixaBank só terá 20% de peso.

Negócio PT/Oi custou 20 milhões

Por conta das imparidades em obrigações da PT International Finance (Grupo Oi), o BPI perdeu 20,2 milhões de euros antes de impostos.

Na apresentação dos resultados semestrais, o presidente do BPI revelou que a posição de balanço destas obrigações PT/Oi está fixada nos 23 milhões de euros, pelo que a entidade aplicou um ‘hair cut' de 85%.

Fernando Ulrich mostrou-se, ainda assim, com "esperança" de que seja possível recuperar um valor superior com estes títulos de dívida do Grupo Oi, devido ao processo de recuperação judicial em que se encontra a operadora brasileira.

Sem Angola, BPI é viável

Para Fernando Ulrich, a viabilidade do BPI é possível com base na operação doméstica, que tem registado melhorias, apesar de os resultados continuarem a beneficiar do forte contributo do Banco de Fomento Angola (BFA).

Foi isso que sempre dissemos [que o BPI é viável mesmo perdendo a operação em Angola]. Depois do choque da crise, que se refletiu em variadíssimos aspetos, como no aumento do incumprimento e das imparidades, depois dessa fase sempre dissemos que íamos entrar no caminho da rentabilidade", afirmou o presidente do BPI durante a conferência de imprensa de apresentação das contas semestrais, em Lisboa.