O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, advertiu esta quarta-feira o primeiro-ministro que o «diálogo social» sofreria uma «machadada de morte» caso o Governo acolha algumas das recomendações da OCDE relativas às relações laborais.

 

 

«Podemos defender este mundo e o outro, mas senhor primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, acontecesse o Governo a que o senhor preside aceitar algumas das recomendações da OCDE, isso seria um retrocesso nos direitos dos trabalhadores e uma machadada de morte no diálogo social, ou seja, no vínculo que desejamos enfatizar aqui como peça fundamental na manutenção da paz e estabilidade sociais», declarou, citado pela Lusa.

 

 

Carlos Silva discursava no encerramento do seminário «Diálogo Social pela Educação e Formação - estratégias de intervenção e concertação para o desenvolvimento e o emprego», por ocasião do 36.º aniversário da UGT, em Lisboa.

 

 

Dirigindo-se ao primeiro-ministro, que assistiu ao encerramento do seminário, Carlos Silva disse acreditar que as sugestões da OCDE relativas às relações laborais, como a «destruição da contratação coletiva, o fim das portarias de extensão, a discussão salarial ao nível de empresa, não serão acolhidas pelo Governo português».

 

 

Carlos Silva acentuou que a UGT pode discordar do Governo em muitas matérias, reivindicar um "alívio fiscal" já em 2015 e defender que a redução da despesa do Estado não pode passar «por cortes cegos» mas impôs como condição para a continuação da sua participação no diálogo social a rejeição de qualquer iniciativa para acolher as recomendações da OCDE.