O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, defendeu esta sexta-feira que o recurso constante à greve não vem resolver os problemas dos trabalhadores portugueses, apontando como solução o caminho da negociação e da qualificação.

«Sindicalizar e sindicalismo tem a ver com defender os trabalhadores e não é pela agitação que resolvemos as coisas. Não é por greves todos os dias que se resolvem os problemas dos trabalhadores», sustentou.

Na sua intervenção durante a inauguração do Training Center da UGT Viseu, Carlos Silva utilizou o caso da Grécia, que em 2012 levou a cabo 23 greves gerais, para exemplificar que não é por esta via que se arranjam soluções para a crise.

«A UGT é hoje um referencial de estabilidade para o país. É à mesa das negociações com o Governo, com os vários ministros, secretários de Estado e empresários que temos conseguido encontrar soluções», sublinhou.

O outro «campo de batalha» da UGT é o da qualificação, habilitando os trabalhadores para um mercado de trabalho que é reduzido.

«Estamos mais preocupados em formar e qualificar trabalhadores do que lançá-los para os campos de batalha, para as invasões dos ministérios, subindo as escadarias da Assembleia da República, fazendo greves todos os dias e combatendo as suas próprias empresas levando-as ao encerramento», acrescentou.

Carlos Silva referiu ainda que a UGT nunca pediu a demissão do Governo, nem o irá fazer, «a não ser que uma coisa tremenda, do ponto de vista da democracia, surgisse no país».

Na sua opinião, a vontade dos portugueses tem de ser respeitada e os mandatos são de quatro anos.

«Vamos é continuar a exigir ao Governo um conjunto de medidas que promovam o crescimento económico, a estabilidade da vida das pessoas, que permita vislumbrar uma possível saída para o acordo de concertação para o qual a UGT está disponível», alegou.

No entanto, frisou que isso nunca será possível com a troika em Portugal, pois não querem estar condicionados.

«Estamos disponíveis desde que duas matérias sejam compaginadas: o salário mínimo nacional que é fundamental e a negociação coletiva desbloqueada», concluiu.