O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, defendeu que os trabalhadores da Autoeuropa devem ter consciência de que sem "estabilidade interna" existe o risco de "os alemães perderem a paciência".

"O que é que vai acontecer se as pessoas não meterem juízo na cabeça? Acho que era importante que os trabalhadores ficassem cientes de que ou há estabilidade interna na empresa ou corremos o risco de os alemães perderem a paciência", defendeu Carlos Silva.

O líder da UGT falava nas jornadas parlamentares do CDS, em Setúbal, num painel com o presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, sobre "diálogo social para mais investimento".

"Há muita gente na Europa, em Navarra, na Eslovénia, na Eslováquia, da Croácia, interessada em ter a produção de outros modelos. Portanto, isto deve envolver o país, deve envolver os partidos políticos, deve envolver os trabalhadores, mas é preciso que, para os trabalhadores serem envolvidos, deixarem-se envolver", sustentou.

Para Carlos Silva, "há uma tentativa de controlar uma comissão de trabalhadores, de controlar uma voz única, um pensamento único dentro da Autoeuropa".

"Espero que [os trabalhadores] consigam reagir dessa pressão que vem de determinados lados da esquerda radical deste país", declarou.

No mesmo sentido, António Saraiva defendeu que a Autoeuropa é "a prova evidente de que com estabilidade social uma empresa progride e evolui".

"Tivemos todos estes anos em que a Autoeuropa era dada como um exemplo da virtude do diálogo social e da paz social que se vivia naquela empresa", defendeu.

Enaltecendo a "liderança de António Chora" na comissão de trabalhadores, considerando que dava à empresa "uma coesão através do diálogo social", António Saraiva defendeu que após a sua saída "a CGTP viu ali uma oportunidade, colocando um vírus na empresa".

Esse "vírus" - uma analogia que António Saraiva já tinha usado publicamente e que reiterou -, "inquinou o diálogo social", e constitui "uma tentativa de adulterar as comissões de trabalhadores, porque são elas que representam todos os trabalhadores".

António Saraiva reiterou também que nos últimos dois últimos anos o diálogo social, em geral, tenha "sido mais dificultado porque o Governo tem afastado da discussão de sede própria da concertação aquilo que tem preferido levar ao acordo que tem com a sua esquerda parlamentar".

O executivo tem, assim, levando ao parlamento matérias que, na opinião da CIP," devem ser, não da exclusiva responsabilidade da concertação, mas que forçosamente devem ser previamente discutidos em concertação", disse.

Os trabalhadores da Autoeuropa começam hoje a cumprir o novo horário transitório que prevê a obrigatoriedade do trabalho ao sábado e que foi imposto administrativamente pela empresa após a rejeição dos acordos negociados previamente com a Comissão de Trabalhadores.

Apesar das garantias dadas pela empresa de vai pagar os sábados com um acréscimo de 100% em relação ao que paga por um dia normal de trabalho, a Comissão de Trabalhadores e o sindicato mais representativo na empresa, o SITESUL - Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, alegam que a Autoeuropa pretende pagar os sábados como um dia normal de trabalho e que isso será demonstrado nos recibos de vencimento de fevereiro.

Esta semana também poderá ser importante no que respeita ao caderno reivindicativo, estando já marcadas para dia 01 de fevereiro várias reuniões plenárias em que a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa deverá fazer um ponto de situação das negociações com a administração da empresa, ou comunicar um eventual pré-acordo que possa vir a ser conseguido nos próximos dias.

A Autoeuropa deverá atingir este ano uma produção de 240.00 automóveis, a grande maioria do novo modelo T-Roc, veículo que o grupo alemão Volkswagen pretende construir apenas na fábrica de automóveis de Palmela e que está a ter muito boa aceitação no mercado.