Os representantes da troika não planeiam deslocar-se a Lisboa antes de a situação política estar «clarificada», ou seja, antes da conclusão das discussões entre PSD, PS e CDS-PP, indicou esta segunda-feira fonte da União Europeia.

Na passada sexta-feira, o primeiro-ministro anunciou a intenção de envolver o PS nas negociações com a troika, designadamente numa reunião com os chefes de missão, a realizar «o mais rápido possível», possivelmente na semana agora em curso, mas a mesma fonte disse não esperar que tal encontro venha a ter lugar esta semana, enquanto decorrem as conversações entre os partidos signatários do memorando de entendimento.

Apontando que os parceiros da troika têm conhecimento de o primeiro-ministro ter «mencionado essa possibilidade», a fonte da UE contactada pela Lusa disse que, no entanto, não está prevista qualquer deslocação a Lisboa «até que haja clareza na situação política», o que, atendendo ao prazo entretanto fixado pelos próprios partidos para tentarem chegar a um entendimento - uma semana, a contar a partir de domingo -, não deverá acontecer na semana em curso, escreve a Lusa.

Deste modo, indicou, não é de esperar qualquer ida a Lisboa de responsáveis da troika esta semana.

«Faz mais sentido (a deslocação) uma vez que haja clareza», reforçou.

Na passada sexta-feira, durante o debate sobre o Estado da Nação, Pedro Passos Coelho confirmou que o Governo solicitou que a oitava e a nona avaliação do programa da troika possam ocorrer em simultâneo em setembro, e que o PS possa envolver-se nas negociações, que passariam por uma reunião em breve com os chefes de missão.

Esse encontro, a realizar «o mais rápido possível», possivelmente na próxima semana - disse na ocasião -, deverá determinar «o chão com que é possível prosseguir» e «satisfazer um dos pedidos do senhor Presidente da República», de saber quais as condições para encerrar com êxito o programa de assistência económica e financeira.

No domingo, PSD, PS e CDS-PP iniciaram as conversações e fixaram o prazo de uma semana para «dar boa sequência aos trabalhos previstos para a procura de um «Compromisso de salvação nacional», pedido pelo Presidente da República.

«O processo de diálogo interpartidário começou hoje com os representantes do PSD, PS e CDS-PP, tendo-se discutido a metodologia de trabalho e fixado o prazo de uma semana para dar boa sequência aos trabalhos previstos para a procura de um 'Compromisso de salvação nacional'», referem comunicados iguais enviados no domingo pelos três partidos.

As discussões ocorrem como resposta ao apelo do Presidente da República, que a 10 de julho, numa comunicação ao país, propôs um acordo de médio prazo entre a maioria PSD/CDS-PP e o PS que assegure o apoio às medidas necessárias à conclusão do programa de resgate a Portugal que esses três partidos subscreveram, prevista para junho de 2014, e o regresso ao financiamento do Estado português nos mercados no início desse ano.