Os trabalhadores de duas dezenas de empresas vão prolongar até ao final do ano a greve ao trabalho suplementar e em dia feriado para contestar a redução do pagamento e defender a contração coletiva, anunciou esta terça-feira a Fiequimetal.

Em causa estão os trabalhadores de cerca de duas dezenas de empresas, como a Somincor, Lisnave, Bosch (Braga), Renault (Cacia), Valorsul, Cabelte, Robbialac, Dyrup, que «estão a desrespeitar os valores de pagamento do trabalho suplementar que eram praticados ou os acordos de empresa», adiantou à Lusa Rogério Silva, coordenador da Fiequimetal.

Em declarações à Lusa, Rogério Silva explicou que foram apresentados os pré-avisos de greve ao trabalho suplementar e ao trabalho em dia feriado que, por escala, seja dia normal de trabalho, de forma a manter até ao final do ano a luta pelos direitos consagrados na contratação coletiva.

«A contestação mantém-se até o Governo voltar atrás na redução do pagamento do trabalho suplementar, bem como o pagamento em dia feriado», adiantou, criticando a recente prorrogação do prazo de suspensão das disposições de instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho e das cláusulas de contratos de trabalho, que tenham entrado em vigor antes de 01 de agosto de 2012.

Segundo o coordenador da Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas, filiada na CGTP, «aderindo à greve, os trabalhadores não realizam trabalho suplementar em todas as situações possíveis (prolongamento ou antecipação do horário normal de trabalho, dias de folga, feriados, descanso semanal obrigatório ou complementar, casos de prevenção ou disponibilidade) e não realizam trabalho em dia feriado que, por escala, seja dia normal de trabalho».

A proposta do executivo, aprovada a 05 de junho, suspende, até ao final do ano, o pagamento «da retribuição do trabalho normal prestado em dia feriado, ou descanso compensatório por essa mesma prestação, em empresa não obrigada a suspender o funcionamento nesse dia».

Esta medida entrou pela primeira vez em vigor a 01 de agosto de 2012.

Ainda de acordo com a proposta do Governo, são salvaguardados «todos os instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho e contratos individuais de trabalho que tenham entrado em vigor despois de 01 de agosto de 2012, os quais não são afetados por esta medida de caráter excecional e temporário».