O porta-voz dos trabalhadores do grupo SATA afetos ao SINTAC, Filipe Rocha, revelou este sábado que já se registaram atrasos com mais de duas horas e meia nos voos, devido à greve que decorre desde quinta-feira.

«A adesão continua elevada, na ordem dos 90%», salientou, em declarações à Lusa, acrescentando que na sexta-feira alguns atrasos nos voos «ultrapassaram as duas horas e meia» e este sábado prevê-se um cenário semelhante.

Filipe Rocha salientou que não estão previstos cancelamentos de voos, mas admitiu que a greve possa provocar alguns atrasos, devido ao tráfego superior ao normal que se vai registar até ao dia 23, devido à quadra de Natal.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), ao qual cerca de 120 trabalhadores da SATA são afetos, convocou uma greve à primeira e à última hora dos turnos de trabalho, até 06 de janeiro, a par da paralisação do trabalho extraordinário que já ocorre desde 01 de setembro.

Os trabalhadores reivindicam a reposição de carreiras que dizem terem regredido, com cortes salariais, apenas para quem está afeto ao SINTAC.

«O que não queremos é que nos prejudiquem só porque estamos no sindicato», frisou Filipe Rocha.

Contrariamente à plataforma de sindicatos, os trabalhadores da SATA afetos ao SINTAC não chegaram a acordo com a administração da transportadora aérea açoriana e reivindicam também a aplicação do acordo que está em vigor na TAP e que evita os cortes salariais entre os 3,5% e os 10% previstos no Orçamento do Estado de 2013.

O porta-voz dos trabalhadores da SATA afetos ao SINTAC lamentou que não exista «vontade negocial por parte da empresa», admitindo uma nova greve se esta não tiver consequências.

Por sua vez, o porta-voz da SATA, José Gamboa, confirmou à Lusa que a operação da SATA inter-ilhas tinha «alguns atrasos», mas salientou que não existiram «sobressaltos de maior».

José Gamboa frisou que o SINTAC participou nas negociações que a SATA teve com a plataforma de sindicatos, acrescentando que a empresa vai retomar as conversações com os representantes dos trabalhadores em janeiro e que tem «disponibilidade sempre total» para chegar ao melhor entendimento, como conta a Lusa.