As dívidas de clientes à Águas de Portugal (AdP) ultrapassavam 614 milhões de euros no primeiro semestre de 2013, período em que os lucros da empresa aumentaram quase 19%, segundo a empresa.

As dívidas dos municípios à AdP sofreram um acréscimo de 33,4 milhões de euros (+5,7%) no primeiro semestre deste ano, face aos 581,2 milhões de euros contabilizados no final de 2012.

A dívida vencida dos clientes (que exclui as cobranças em curso) aumentou cerca de 16 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2013 face ao ano passado, «uma situação que continua a merecer a maior atenção da parte da administração da empresa», assume a AdP num comunicado citado pela Lusa.

A holding estatal para o setor das águas e resíduos destaca, por outro lado, o bom desempenho dos indicadores económico-financeiros face ao período homólogo de 2012, com o resultado líquido a aumentar 18,7%, para 55,3 milhões de euros, e o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) a crescer 11% para 171,7 milhões de euros.

Também o volume de negócios aumentou cerca de 28 milhões de euros, sem contar com os desvios tarifários (diferença entre os proveitos e os encargos), que atingiam, no fim do primeiro semestre, 26,4 milhões de euros, menos 63% do que no período homólogo.

A AdP sublinha que a redução dos desvios ocorreu «apesar do aumento em cerca de 11 milhões de euros em gastos com pessoal, decorrente das determinações do Tribunal Constitucional sobre a lei do Orçamento do Estado de 2013», tendo contribuído também a descida da yield média das Obrigações do Tesouro a dez anos.

O investimento manteve a tendência dos últimos dois anos e voltou a diminuir, passando de 119,6 milhões de euros em 2012 para 61,5 milhões de euros em 2013, enquanto o endividamento bancário bruto teve um crescimento nulo.

O presidente do conselho de administração do grupo, Afonso Lobato de Faria, refere no comunicado que pretende «alavancar» o investimento até ao final do ano, «especialmente nas empresas mais recentes que ainda têm pela frente um conjunto muito alargado de obras a lançar no terreno».

No início de julho foi concretizada a primeira parceria Estado-autarquias através do Sistema de Águas da Região do Noroeste, que junta o Estado e oito autarquias da região, sendo a gestão atribuída à Águas do Noroeste, pertencente ao universo do grupo Águas de Portugal.