O Banco de Portugal suspendeu «com efeitos imediatos» os administradores do BES responsáveis pela auditoria, compliance e gestão do risco devido aos «indícios da prática de atos prejudiciais aos interesses do BES».

Em comunicado, o supervisor e regulador bancário disse hoje que, independentemente dos resultados que saiam da auditoria forense que já está em curso no BES para apurar responsabilidades, «os indícios da prática de atos prejudiciais aos interesses do BES e em violação das determinações emitidas não são compatíveis com a manutenção em funções dos titulares dos órgãos de administração com os pelouros de auditoria, compliance e gestão de riscos, bem como dos titulares do órgão de fiscalização».

O Banco de Portugal deliberou, assim, a suspensão «com efeitos imediatos» destes gestores.

Joaquim Goes era responsável pela área de risco, António Souto pelo departamento de compliance e Rui Silveira pelo departamento de auditoria e inspeção.

A comissão de auditoria do BES é, segundo o site do banco, constituída por Horácio Lisboa Afonso (presidente), Pedro João de Matos e Silva e João de Faria Rodrigues.

Devido às suspensões de funções que deliberou, o Banco de Portugal designou uma comissão de fiscalização composta por quadros superiores da consultora PricewaterhouseCoopers, isto «até que os acionistas promovam a substituição dos membros da Comissão de Auditoria» ou até que haja uma cooptação decidida pela atual equipa de gestão.

O Banco de Portugal diz ainda que as alterações que está a efetuar nos órgãos sociais têm como objetivo «contribuir para a estabilidade» do BES, assim como para uma «adequada execução do plano de capitalização determinado pelo Banco de Portugal».

BdP inibe direitos de voto da família Espírito Santo

O Banco de Portugal inibiu os direitos de voto inerentes à participação da Espírito Santo Financial Group (ESFG) no BES.

O supervisor e regulador bancário emitiu hoje um comunicado após terem sido conhecidos na quarta-feira à noite prejuízos históricos do BES de quase 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre.

Num dos pontos, o Banco de Portugal determinou «inibir os direitos de voto inerentes à participação qualificada que a Espírito Santo Financial Group, S.A. e a Espírito Santo Financial (Portugal) - SGPS, S.A. detêm no BES».

A ESFG é a maior acionista do BES, com 20,1% do capital do banco. Esta holding, através da qual a família controlava o banco, está desde terça-feira em gestão controlada sob a alçada da lei luxemburguesa, depois de ter apresentado um pedido nesse sentido por reconhecer a sua incapacidade em cumprir as suas obrigações.

A juíza luxemburguesa, que foi nomeada pelo Tribunal do Comércio do Luxemburgo para liderar o processo de gestão controlada do ESFG, vai tomar uma decisão sobre o futuro da empresa a 6 de outubro.