A instabilidade no Médio Oriente e no Norte de África tem gerado ganhos para o turismo português, mas o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT) diz ser preciso segurar as vantagens criadas.

«Ninguém honestamente pode dizer que Portugal não está a beneficiar dos problemas de instabilidade social no Médio Oriente e Norte de África. É óbvio que está, mas quando os nossos mercados concorrentes resolverem os problemas vamos voltar à casa de partida ou vamos ter aprendido?», questionou o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira.

A presidente da comissão executiva da Confederação do Turismo Português (CTP), Adília Lisboa, refere que o crescimento do mercado alemão em Portugal «tem tudo a ver com a Turquia», onde, nos últimos meses, os conflitos políticos e sociais se têm acentuado.

Entre janeiro e abril deste ano o número de turistas alemães em Portugal aumentou 11,8% face a igual período do ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Por outro lado, o caso do acréscimo de turistas franceses deve-se à chamada «Primavera Árabe» nos países do Magrebe, em particular na Tunísia, destino tradicional dos franceses, que aumentaram em 4,9% as entradas em Portugal nos primeiros quatro meses do ano.

«Um destino perde a credibilidade num dia, numa semana, em horas, mas reganhá-la é uma luta de uma década. Porque primeiro as questões têm de estar resolvidas e depois têm de ser percecionadas como resolvidas. Temos aqui algum lastro, algum campo de manobra em que vamos ser beneficiados», salientou Pedro Costa Ferreira.