O presidente da Confederação do Turismo Português (CTP), Francisco Calheiros, disse hoje que os primeiros sinais que chegaram do Governo não foram positivos, mas acredita que ainda "haverá uma correção de rota".

"Acabámos de entrar num novo ciclo político. Com mais ou menos polémica, temos um novo Governo que acaba de iniciar funções. Estamos, como sempre estivemos, disponíveis para trabalhar com qualquer Governo, muito embora os primeiros sinais que nos chegaram deste Governo não tenham sido positivos", disse Francisco Calheiros no discurso de encerramento do 41.º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorre em Albufeira até domingo.


E especificou: "Desde logo, a forma como ignorou a Comissão Permanente de Concertação Social, ao querer levar a discussão de temas como o salário mínimo, os feriados e o banco de horas para fora da esfera deste órgão constitucional, de consulta e concertação no domínio económico e social".

O presidente da CTP classificou ainda como pouco positiva a intenção do executivo de reverter a privatização da transportadora aérea TAP.

"Ainda hoje de manhã, os órgãos de comunicação social referem a possibilidade de só se privatizar 44% da TAP, situação esta tentada muitas vezes no passado, mas sem qualquer sucesso", sublinhou.

Francisco Calheiros disse, no entanto, que a CTP está otimista por acreditar que, "muito em breve, haverá uma correção de rota". E já há sinais disso, avançou.

"Em primeiro lugar, no passado dia 30 [de novembro], o ministro da Economia e os seus secretários de Estado pediram para serem recebidos na CTP, onde foram explanar e apresentar as suas políticas. Na próxima semana, vamos ter a primeira reunião com o senhor primeiro-ministro [António Costa], onde se irá abordar o programa de Governo e as prioridades da Concertação Social", disse.

Em balanço, Francisco Calheiros ressalvou como positiva "a única coisa garantida" até agora, ou seja, a reposição do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA9 da restauração.

"Mas muito há ainda por fazer", concluiu.