Portugal deve continuar a garantir que o mercado imobiliário para o turismo residencial seja estável, mesmo que implique menor rentabilidade do que em países como Espanha, defendeu hoje em Londres o secretário de Estado do Turismo.

«Tendo em conta que as principais motivações para o turismo residencial [em Portugal] são a compra de uma casa de férias ou a relocalização, o que é importante garantir é que o mercado imobiliário seja estável e evitar volatilidade que resulte em prejuízos grandes», disse Adolfo Mesquita Nunes.

O governante falava à margem da 10.ª conferência sobre imobiliário organizada pela Câmara de Comércio Portuguesa no Reino Unido, onde o economista Tiago Lavrador apresentou números sobre a rentabilidade dos investimentos imobiliários em países como Espanha ou Irlanda desde o ano 2000.

Apesar de a curva ascendente ter sido mais acentuada para aqueles países, a crise financeira teve consequências mais desastrosas, visíveis na variação de preço das casas entre o pico e o ponto mais baixo dos respetivos mercados: em Espanha, a queda foi de 27,6% entre 2008 e 2013, na Irlanda de 49,7% entre 2007 e 2012, mas em Portugal apenas de 5,8% entre 2010 e 2013.

Tiago Lavrador, economista da Espirito Santo Research, disse à Lusa que Portugal deve «privilegiar o investimento a longo prazo e a estabilização em vez de ganhos a curto prazo que podem gerar instabilidade e bolhas [do setor imobiliário], que não aconteceram em Portugal».

Já o secretário de Estado do Turismo, que esteve em Londres para promover o regime fiscal e programas para atrair investidores no turismo residencial em Portugal, resumiu: «Os especuladores devem procurar outro país».

Segundo a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), o Reino Unido é o principal mercado internacional neste setor: no primeiro trimestre do ano foram vendidos 800 imóveis a investidores britânicos, ou seja, 23% dos 3.500 vendidos a estrangeiros.