Paris e Berlim consideraram hoje que não há razão para a Europa ser atingida pelas turbulências geradas por «um pequeno número de países emergentes» com desequilíbrios, aos quais pediram para os corrigir.

«Não há razão para que a Europa se veja envolvida (...) por um pequeno número de países emergentes» com desequilíbrios, sublinhou o governador do Banco de França, Christian Noyer, no final de um encontro franco-alemão em Paris dos responsáveis pelas pastas da Economia e Finanças de ambos países, bem como dos respetivos bancos centrais.

Questionado sobre se as turbulências dos mercados emergentes inquietam a Europa, Noyer afirmou em conferência de imprensa conjunta com os participantes na reunião que «todos os países, não só os avançados e os europeus, devem ter uns bons fundamentos e equilíbrios».

Sem citar qualquer um, Noyer adiantou que «os países que deixaram desenvolver desequilíbrios devem fazer o seu trabalho, o que foi feito na Europa».

Por outro lado, o presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, defendeu que estas «turbulências mostram que os mercados sabem muito bem as diferenças entre os países» e que representam um «apelo para serem efetuadas reformas».

As turbulências dos últimos dias nos mercados de divisas, em particular com a moeda da Argentina, afundaram os mercados, incluindo os europeus.

Vários altos responsáveis políticos ou económicos da zona euro afastaram hoje qualquer hipótese de um contágio à união monetária dos problemas com que se confrontam vários países emergentes.

«Não penso que venha a existir qualquer contágio dos riscos com que se confrontam países emergentes para a zona euro», declarou hoje em bruxelas o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

Vários países emergentes fazem face há alguns dias a turbulências financeiras e à queda das respetivas divisas. O rublo russo, o rand da África do Sul, a lira turca ou o peso argentino caíram consideravelmente nos últimos dias para níveis mínimos dos últimos anos.

Este movimento resulta de problemas internos, tendo em perspetiva o fim da política monetária ultra-expansionista da Reserva Federal norte-americana (Fed) e o sentimento geral defendido por determinados economistas de que os países emergentes terminaram os anos de forte crescimento e estão a entrar num período de turbulências sem ter reformado suficientemente as respetivas economias.