Trabalhadores da Transportes Sul do Tejo vão realizar uma greve de 24 horas que se inicia na madrugada de quinta-feira, em protesto contra os aumentos salariais, que consideram insuficientes, e as condições de trabalho. 

A paralisação na rodoviária foi marcada pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações e começa às 03:00, estando também agendado um plenário nas instalações da empresa no Laranjeiro, Almada, para de manhã.

«Esta greve surgiu porque é a única maneira que temos de os trabalhadores poderem estar presentes no plenário da empresa e decidir o que querem fazer no futuro. Os salários dos trabalhadores são miseráveis e a empresa vai aplicar um aumento de 1% apenas no salário base, não incluiu as outras rubricas, o que é pouco», disse à Lusa João Saúde, da Fectrans.

Contactada pela Lusa, a administração dos TST confirmou, por escrito, a receção do pré-aviso de greve para quinta-feira, referindo que vai proceder aos «ajustes necessários para que os clientes sejam o menos afetados possível».

Quanto ao processo de negociação salarial, a empresa confirma que foi aplicada uma atualização salarial de 1%, com efeito a partir de 01 de janeiro deste ano.

«É um valor acima da taxa de inflação esperada. Tendo em conta a perda de 1,6 milhões de passageiros em 2014 e os fatores externos que ocorreram no início de 2015, tais como a manutenção do tarifário, o aumento significativo dos impostos no gasóleo, a reposição do custo do trabalho suplementar e o resultado líquido negativo da empresa em 900 mil euros, a TST fará um enorme esforço financeiro para poder continuar a manter os postos de trabalho e, desta forma, minorar estas repercussões na vida dos seus colaboradores», refere a nota.

O sindicalista João Saúde afirmou que espera que a empresa cumpra com a palavra de repor o valor do trabalho extraordinário como o definido no acordo de empresa.

«Depois de dois anos e meio de roubo, espero que cumpram o que disseram e reponham o valor devido do trabalho extraordinário. Em fevereiro é que vamos ver se a empresa cumpre o que assumiu», explicou.

João Saúde disse ainda que os problemas na empresa atingem os trabalhadores, mas também os utentes.

«Os autocarros estão em más condições, como por exemplo na limpeza, e foram cortadas carreiras, que afetam os utentes dos TST. Temos que envolver as comissões de utentes e as pessoas na nossa luta», concluiu.

A Transportes Sul do Tejo desenvolve a sua atividade na Península de Setúbal e serve os concelhos de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal, incluindo ligações a Lisboa.