A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, afirmou na última noite que a intervenção recente do Banco Central Europeu (BCE) é positiva, mas não é suficiente para países como Portugal.

Num anúncio histórico, o presidente do BCE, Mario Draghi, antecipou na quinta-feira que o Banco Central Europeu vai manter durante um «longo período» as taxas de juro baixas na zona euro, sendo que atualmente a taxa de juro diretora está no mínimo histórico de 0,50%.

Para Teodora Cardoso, esta medida «é positiva, mas não é suficiente» para países que estejam a implementar programas de ajustamento ou que enfrentem dificuldades, porque «não resolve o problema da diferença entre taxas de juro praticadas» entre as economias do Centro e do Sul da Europa, uma vez que «os mercados veem [os periféricos] com um grau de risco superior aos países do centro».

«Essa medida aplica-se igualmente a todos e procura garantir que as taxas de juro se mantenham baixas durante um período longo e isso é importante para nós, que temos taxas de juros variáveis. Ou seja, pessoas ou empresas que possam ter dúvidas sobre contrair agora um empréstimo ficam mais confortáveis com esta medida», afirmou a economista, em declarações à agência Lusa, à margem de uma conferência na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

No entanto, salvaguardou que «é preciso haver alguémdisponível para investir e aí há um risco que [a manutenção de baixas taxas de juro] não resolve».

Teodora Cardoso considerou que há uma parte do problema cuja solução depende internamente do país e da tomada de medidas de natureza estrutural, acompanhadas pelo cumprimento dos objetivos orçamentais.

«Não se trata de nenhuma medida milagrosa, trata-se de um conjunto de medidas que criem uma nova racionalidade e que deem um peso menor ao orçamento na economia, que permitam que a iniciativa privada tenha um papel mais importante, por exemplo», disse a Teodora Cardoso.