O presidente do banco BES Investimento, José Maria Ricciardi, disse hoje que um segundo resgate seria muito mau para Portugal e estima que o país entre num programa cautelar como vai entrar a Irlanda em dezembro próximo.

«Não precisamos de um segundo resgate, porque um segundo resgate seria muito mau para Portugal», declarou José Maria Ricciardi, durante o II Fórum Empresarial do Algarve, que termina hoje em Vilamoura.

O presidente do BES acredita, apesar de saber que não é garantido, que é possível para Portugal entrar num programa cautelar, como a Irlanda, que vai entrar agora em dezembro.

«Estou absolutamente convencido que talvez não consigamos, ou não vamos imediatamente financiar-nos nos prazos mais longos que as taxas poderão estar um bocadinho mais altas, nos cinco e dez anos, mas a dois ou três anos é possível começarmos a financiar», considerou.

Ricciardi recordou que uma parte do financiamento de 2014 para Portugal já está assegurada e por isso, reitera que Portugal tem grandes chances de ter programa cautelar, com a participação do Banco Central Europeu.

Questionado pela Lusa sobre se concordava com o Presidente da República (PR) que disse ser «masoquismo» considerar a dívida insustentável, Ricciardi referiu que é provável que exista algum desse sentimento nos portugueses, designadamente por causa do desemprego.

«Acredito que algum desse masoquismo tenha alguma razão de ser, a gente ainda está a passar grandes dificuldades e o desemprego é enorme e com a com a situação atual ainda não vamos conseguir absorver (...) o desemprego», disse

O termo masoquismo foi utilizado pelo PR ao descrever analistas e até políticos quando consideraram que a dívida pública não era sustentável.

O presidente do BES considerou ainda que «os portugueses são de facto um pouco masoquistas».

«Gostamos de nos apegar aos aspetos mais negativos e normalmente não vibramos muito com os positivos», argumentou, acrescentando, todavia que acredita que Portugal está melhor agora do que estava.

O II Forúm Empresarial do Algarve terminou hoje pelas 13l:00, e no evento estiveram presentes mais de 300 líderes empresariais e políticos nacionais e estrangeiros a debater «Um Portugal Atlântico ou um Portugal Europeu».