O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, declarou esta quinta-feira que está «muito impressionado» com os progressos alcançados pela Grécia e indicou que a Alemanha está «pronta» para investir num fundo destinado a apoiar as empresas gregas.

«Estou muito impressionado com o que a Grécia já realizou em matéria de reequilíbrio orçamental e de modernização da economia», declarou Schauble durante um encontro com empresários e o homologo grego, Stournaras, em Atenas.

Contudo, Schauble sublinhou mais tarde que «ainda há muito para fazer».

«A Alemanha está pronta para investir» num fundo destinado a procurar liquidez para as empresas gregas, adiantou Schauble, que está em Atenas, pela primeira vez desde o início da crise.

O ministro do Desenvolvimento grego precisou que este fundo, denominado «instituto do crescimento», vai «colaborar com grandes bancos internacionais e será sustentado por acionistas privados».

O ministro alemão pormenorizou as receitas que defendem devem continuar na Grécia para garantir a saída da crise, designadamente continuar as privatizações, abrir os mercados, modernizar o sistema fiscal, lutar contra a evasão fiscal e reformar a administração.

Schauble recordou que Berlim está a cooperar com Atenas no domínio da reforma da administração local.

A dois meses das eleições alemãs, o ministro recordou contudo que não está previsto qualquer perdão da dívida da Grécia, quando os mercados antecipam uma nova ajuda ao país em dificuldades.

«É possível que depois deste programa (de ajuda) expirar nós precisemos de um outro programa no próximo ano. Nós já o dissemos (...) Em 2014, falaremos de novo. Mas a partir de agora, a Grécia deve cumprir os seus compromissos», afirmou Schauble numa entrevista à rádio pública alemã antes de se deslocar a Atenas.

Medidas de segurança excecionais foram tomadas para esta visita de Schauble à capital grega, onde a Alemanha é considerada instigadora da política de austeridade adotada na Grécia em troca do apoio financeiro internacional.

Esta política, que permitiu o saneamento das contas públicas, também baixou fortemente o nível de vida da população, ampliou a recessão que dura há mais de seis anos no país e provocou o aparecimento de partidos extremistas, como o de um neo-nazi.