O primeiro-ministro da Finlândia afirmou hoje que a decisão de Portugal de não pedir um programa cautelar «prova que a política económica seguida pela Europa está a ter resultados sustentáveis», destacando, contudo, que «há trabalho por fazer».

«A decisão do Governo português de sair do programa de ajustamento de três anos sem pedir qualquer assistência financeira externa adicional prova que a política económica seguida pela Europa está a ter resultados sustentáveis», afirmou Jyrki Katainen, primeiro-ministro finlandês, em comunicado hoje emitido.

O governante da Finlândia elogiou o Governo e o povo de Portugal, que «aguentou grandes dores para levar a economia da nação novamente para um caminho sustentável e competitivo».

No entanto, Jyrki Katainen deixou um aviso: «O nosso esforço conjunto deve continuar e há trabalho por fazer em Portugal e noutras partes da União Europeia - incluindo na Finlândia. Todos os Estados-membros da UE devem contribuir para melhorar a competitividade e criar novos trabalhos na Europa», apelou.

Para o finlandês, a saída de Portugal do programa de assistência «é uma prova positiva da política económica comum e um sinal bem-vindo para toda a Europa».

A 09 de abril, o comissário europeu Olli Rehn, também finlandês, tinha afirmado que as exigências da Finlândia iam condicionar a decisão de Portugal sobre um eventual pedido de programa cautelar.

«A exigência de colaterais pela Finlândia teve um impacto negativo na decisão da Irlanda e está a ter impacto na decisão de Portugal», disse o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, aos jornalistas em Helsínquia, citado pela agência Bloomberg.

A Irlanda terminou o seu programa de assistência em dezembro de 2013, sem recorrer a um programa cautelar, que implica novas condicionalidades, um exemplo também seguido por Portugal.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou no domingo que o país pode dispensar um programa cautelar porque a estratégia de regresso aos mercados e a consolidação orçamental foram bem-sucedidas e o país recuperou credibilidade externa.

«Podemos fazer agora esta escolha porque, tal como consta na declaração final emitida na sequência da última avaliação da troika [Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional], o programa está no bom caminho para o seu termo e colocou a economia portuguesa no caminho da solidez das finanças públicas, da estabilidade financeira e da competitividade, disse Passos Coelho, numa declaração ao país.