A agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) cortou a perspetiva do rating atribuído à dívida pública portuguesa de estável para negativo, o que significa que a classificação pode ser reduzida em breve. Tudo por causa da crise política.

A nota da dívida soberana portuguesa de longo prazo mantém-se em «BB», o segundo nível da escala abaixo da linha que separa o grau de investimento do chamado «lixo». Mas a revisão da perspetiva aponta para probabilidade de a notação ser cortada no curto prazo. Segundo a agência, a probabilidade de baixar a nota nos próximos 12 meses é superior a um terço.

«O outlook negativo reflete a nossa visão de que há agora uma probabilidade de mais de 1 em 3 de que possamos cortar o rating de Portugal nos próximos 12 meses. Ponderamos baixar os ratings se as tensões políticas e sociais de Portugal levarem a desvios significativos dos termos do programa, atrasando o desembolso dos empréstimos oficiais», conclui.

A S&P referiu ainda que acredita que «as demissões podem complicar a adoção de medidas orçamentais adicionais que possam ser precisas para cumprir as exigências do programa», destacando «o risco aumentado de as negociações da coligação falharem, levando a eleições antecipadas».

«Consideramos que as demissões [no Governo] dificultam as negociações da coligação sobre as medidas de revisão da despesa pública. Estas medidas foram apresentadas pelo Governo à Comissão Europeia, ao Banco Central Europeu e ao Fundo Monetário Internacional como parte da sétima revisão da troika ao programa de apoio financeiro de Portugal, mas ainda têm de ser aprovadas no parlamento e, por isso, exigem o apoio do partido mais pequeno da coligação», explica.

A S&P considera que «as demissões podem complicar a adoção de medidas orçamentais adicionais que possam ser precisas para cumprir as exigências do programa», existindo um «risco aumentado de as negociações da coligação falharem, levando a eleições antecipadas».

Para a S&P, a instabilidade política também pode atrasar o orçamento de 2014, o que ia aumentar ainda mais o défice e, consequentemente, «elevar ainda mais o rácio da dívida no próximo ano e potencialmente aumentá-lo mais em 2015 ou depois, o que iria dificultar o acesso de Portugal a mais empréstimos dos credores oficiais, depois do período do programa atual».