A Standard & Poor's considera que os cortes nos investimentos em infraestruturas públicas na zona euro e alguma tentação dos governos em evitar prosseguir com reformas estruturais podem prejudicar as já baixas perspetivas de crescimento potencial económico da região.

Num relatório publicado esta terça-feira sobre os riscos que enfrentam os países europeus em 2014, a agência de rating norte-americana faz um alerta aos governos da zona euro sobre as consequências de evitar fazer reformas difíceis devido a alguma fadiga de ajustamento na região.

«Existe um risco de fadiga de ajustamento: com condições mais favoráveis nos mercados de capitais nos últimos meses e uma crescente impaciência entre os eleitores, os governos podem tornar-se complacentes, e podem ficar tentados a recuar nas reformas estruturais que favorecem o potencial de crescimento da zona euro, que atualmente é baixo», afirmou Moritz Kramer, o principal analista da Standard & Poor¿s para os países europeus.

A agência acredita ainda que, no longo prazo, os cortes que têm vindo a ser feitos nos últimos anos em infraestruturas públicas com capacidade para aumentar a produtividade das economias pode exacerbar o que já dizem ser uma perspetiva de crescimento económico fraca.

A Standard & Poor's considera também que a zona euro fez «poucos progressos» no trabalho para reduzir a forte ligação entre os países e os bancos vulneráveis dentro das suas jurisdições.

Ainda assim, a zona euro deve continuar a sua lenta recuperação em 2014 e a perspetiva sobre os ratings dos países europeus tem melhorado no último ano, mais do que em qualquer outra região, dizem os analistas, sendo ainda assim, no geral, negativos. Só Portugal, Itália e Bélgica continuam com os seus ratings com perspetiva negativa.

A Standard & Poor's defende também que mais consumo dos países com excedentes comerciais, em especial da Alemanha, poderia fazer muito para terminar a crise da dívida na zona euro de forma definitiva, como noticia a Lusa.