O primeiro-ministro defendeu na sexta-feira que, quanto mais depressa se afastar «qualquer indefinição quanto ao nível de execução» do Orçamento do Estado para 2014, melhor será para Portugal recuperar «pleno acesso» ao financiamento nos mercados.

«Quanto mais depressa se afastar qualquer indefinição quanto ao nível de execução deste orçamento, mais depressa reganharemos as condições para ter pleno acesso a mercado - digo pleno acesso a mercado porque Portugal já tem acesso a mercado, já emitiu a cinco anos, já emitiu a mais de dez anos», afirmou Pedro Passos Coelho, durante uma conferência promovida pelo PSD sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2014, num hotel de Lisboa.

No seu discurso, que durou mais de uma hora e terminou perto da meia-noite, o presidente do PSD e primeiro-ministro negou que os cortes nos salários e nas pensões previstos para o próximo ano sejam «resultado de uma visão ideológica», sustentando que não é possível «fugir aos programas orçamentais que têm maior significado» em termos de despesa pública: «É uma constatação do que é a realidade. É assim».

Na terça-feira, no encerramento das jornadas parlamentares conjuntas do PSD e do CDS-PP, Passos Coelho já se tinha referido às consequências de haver uma «indefinição sobre o que se vai passar nos próximos meses» quanto à »exequibilidade das medidas» do Governo.

«Evidentemente, custará a descida das taxas de juro a médio e longo prazo e, no limite, criará um stresse elevado que dificultará o final do programa de assistência económica e financeira», considerou.