O primeiro-ministro considerou hoje que existe preconceito dos mercados em relação a Portugal, que torna mais difícil a conclusão do atual programa de resgate e obriga a um compromisso com a meta traçada para o défice.

Pedro Passos Coelho reclamou que Portugal não tem «resultados muito diferentes daqueles que são hoje apresentados pela Irlanda», e assinalou a diferença entre as metas do défice e entre os juros da dívida dos dois países.

«Ainda em maio deste ano os nossos juros a dez anos estavam quase a baixar a fasquia dos cinco por cento. Isso dava-nos uma perspetiva boa de fechar o atual processo de ajuda económica e financeira e de poder, com uma ajuda europeia, transitar para mercado e fechar este programa de assistência. Mas quero dizer-vos que com juros como sete por cento como temos tido, é mais difícil», declarou.

O presidente do PSD e primeiro-ministro alegou que o nível dos juros da dívida pública portuguesa a dez anos se explica, «em primeiro lugar», a «algum preconceito» dos mercados em relação a Portugal, que «tem uma razão de ser».

«Aqueles que chegam sempre atrasados, por melhores que sejam as razões que tenham, geram sempre em quem espera o mesmo sentimento: se chegaste sempre atrasado, atrasado continuarás a chegar. Ora, nós não nos podemos atrasar», defendeu.

«Como não nos podemos atrasar temos de mostrar a todos que estamos completamente comprometidos com a meta que traçámos, mesmo sabendo que essas metas foram várias vezes muito mais exigentes do que aquelas que eram exigidas a outros», acrescentou.