O economista alemão Joachim Starbatty, que em 2010 formalizou uma queixa para impedir a ajuda comunitária a Atenas, considera que Portugal vai ter de pedir «um perdão parcial da dívida» e que a Grécia entrará em default.

«Primeiro virá o perdão da dívida à Grécia, que vai afetar os credores públicos. Ou seja, o governo federal [da Alemanha] terá de incluir no [seu] orçamento um incumprimento de milhares de milhões [de euros]», alerta Joachim Starbatty em entrevista ao jornal alemão «Die Welt».

Em seguida, chegará «o perdão parcial da dívida de Portugal», o que «para os contribuintes alemães» traduzir-se-á em «mais uma perda de milhares de milhões», considera o professor da Universidade de Tubinga, no sul do país.

A entrevista concedida ao diário alemão surge numa altura em que falta um mês para as eleições legislativas alemãs, agendadas para 22 de setembro. Joachim Starbatty encabeça a lista da «Alternativa para a Alemanha» no círculo de Berlim.

Este partido político anti-euro, criado em 2010 por um grupo de economistas e líderes empresariais alemães, contesta o envolvimento da Alemanha nas ajudas à zona euro e defende também a saída do país da moeda única.

Starbatty foi também um dos economistas que, em 2010, formalizaram uma queixa junto ao Tribunal Constitucional alemão, por considerar que o apoio financeiro que a Alemanha se viu obrigada a conceder à Grécia, no âmbito dos esforços da zona euro, violava a Constituição alemã e o Tratado de Maastricht. O tribunal pronunciou-se contra a queixa dos economistas em 2011.

Na entrevista ao «Die Welt», o economista, forte crítico da chanceler alemã Angela Merkel e da forma como o governo alemão tem gerido a crise europeia, volta também a defender a saída da Grécia do euro.

Para Starbatty, a melhor solução para a Grécia seria se o país abandonasse a zona euro e desvalorizasse a sua moeda, dando assim novo fôlego à economia helénica.

França «corre risco de colapsar»

O economista também alerta para «fragilidade» da economia francesa e garante que a França «já gastou todo o seu latim». De acordo com este economista, o país corre risco de colapsar, caso se venha a verificar a situação que o próprio prevê para a Grécia e Portugal.

«O desemprego em França subiu para os 11%, a economia está a estagnar, porque a indústria [francesa] já não é competitiva internacionalmente (...) e há uma necessidade premente de reformar a área da política social», sustenta.

O especialista lembra que são vários os analistas que consideram «desproporcionado» o 'rating' atribuído à França (AA), e que, frisa, «não reflete a real situação do país».

«Quando isso for evidente, o país terá de pagar juros mais altos aquando do seu refinanciamento. E não vai aguentar», afirma.

E se a França - devido a sua situação interna - não conseguir suportar mais o seu contributo na ajuda aos países europeus sob assistência financeira, então sim, a «zona euro colapsará».

Vários analistas citados pela imprensa alemã consideram improvável que nas eleições de 22 de setembro o partido «Alternativa para a Alemanha» chegue sequer ao limite de 5% necessário para obter representação no Parlamento alemão.

Contudo, as mesmas fontes referem que o partido anti-euro poderá atrair votos conservadores suficientes para dificultar a vida a coligação liderada pelos democratas-cristãos de Angela Merkel (CDU), com a sua congénere da Baviera (CSU) e os liberais do FDP.