O presidente do banco BIC, Mira Amaral, considerou hoje que Portugal vai continuar a viver em «serviço ambulatório», mesmo depois de sair da «unidade de cuidados intensivos» e pediu ao Governo que avance com as prometidas reformas sérias.

«É bom que percebamos que vamos viver, não na unidade de cuidados intensivos, mas vamos viver em serviço ambulatório com os serviços médicos do hospital a vigiarem-nos, embora sem estarmos internados», preveniu o banqueiro do BIC, durante a conferência «Modelos de Financiamento para Portugal e empresas portuguesas para o triénio 2014/2016», durante o Fórum Empresarial do Algarve, que termina hoje em Vilamoura.

Segundo Mira Amaral, mesmo depois de a "troika" abandonar Portugal mantém «as condicionalidades macroeconómicas» e para deixar de viver na unidade de cuidados intensivos e no serviço ambulatório, é preciso uma reforma de Estado séria.

«Reforma de Estado é a única maneira que eu vejo de forma racional de fazer cortes estruturais na despesa pública em vez de fazer cortes horizontais, onde toda a gente apanha (...) e sem resolver o problema», declarou.

O bancário considera que se Portugal tiver «juízo» e executar o programa de ajustamento como deve ser, vai regressar aos mercados e a partir daí tem o apoio do Banco Central Europeu (BCE).

«Se dermos um sinal credível do défice público que isto é mesmo para valer e começando (...) a sério a reforma do Estado, os cortes totais na despesa pública (...), se a gente começar a fazer tudo isto, eu acho que vamos para um programa cautelar tipo Irlanda», regressa-se aos mercados e a partir daí há o apoio do BCE na compra de títulos da dívida pública portuguesa, estimou.

Embora esteja otimista, Mira Amaral criticou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o ex-ministro das Finanças, Eduardo Catroga, por não terem avançado com as reformas a sério.

«Acho que o Governo apenas balbuciou e não começou a sério ainda, ao contrário do PSD, através do doutor Passos Coelho e do doutor Catroga que tinham prometido nas eleições», declarou.

Mira Amaral afirmou ainda, no Fórum Empresarial do Algarve, que um segundo resgate «não se justifica se tivermos juízo» e recordou que só os «masoquistas» que querem fazer demagogia é que vêm falar de um segundo resgate.

O II Fórum Empresarial do Algarve está a decorrer no Hotel Tivoli Victoria, em Vilamoura, e no evento participam mais de 300 líderes empresariais e políticos, nacionais e estrangeiros.