O representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) na missão da troika em Portugal, Subir Lall, considerou esta quarta-feira que, «perante uma dívida tão alta, é evidente que será necessária uma consolidação orçamental ainda maior».

Num artigo escrito hoje para um blogue do FMI, Subir Lall aponta que a dívida das empresas públicas e das privadas «continua a ser muito elevada», de 129% e 255%, respetivamente, argumentando que a redução do endividamento tem que implicar mais consolidação orçamental e um crescimento maior e mais sustentado.

Para o representante do Fundo em Portugal, «uma coisa é certa: o crescimento elevado e duradouro não é possível com o regresso ao velho modelo, [o modelo] pré-crise», uma vez que «não há espaço para contrair mais empréstimos para alimentar o consumo ou o investimento não produtivo».

O economista refere ainda que a posição de investimento internacional de Portugal é negativa «por uma larga margem», para defender que «contrair dívida externa não é uma opção num futuro previsível».

«A economia precisa de gerar excedentes externos para reduzir esta posição de investimento negativa; o investimento tem de ser dirigido aos setores transacionáveis - setores cujos ganhos provêm da venda dos seus produtos e serviços no estrangeiro; o crescimento e o emprego têm de ser impulsionados pelas exportações», escreve.

Reconhecendo os «progressos notáveis» de Portugal nos últimos três anos, Subir Lall destaca que «as metas orçamentais foram suavizadas para evitar consequências mais sérias para o crescimento».

Subir Lall também defende que «o peso do ajustamento não deve recair demasiado no trabalho», sublinhando que, «embora fosse possível fazer mais para melhorar o funcionamento do mercado de trabalho e as oportunidades de emprego, a redução de outros custos de produção talvez seja ainda mais importante».

Para o economista do FMI, é importante garantir que «o peso do ajustamento não recaia demasiado no trabalho e seja contrabalançado com ajustes em outras áreas», pelo que «é preciso que reformas ambiciosas do mercado de produtos, destinadas a aumentar a concorrência e a reduzir as rendas no setor não transacionável sejam uma peça central da agenda do crescimento».

Subir Lall termina o artigo com um recado político: os resultados das reformas em curso «levará tempo e serão necessários esforços continuados, independentemente do partido no poder», exigindo-se, por isso, «o mais amplo consenso possível».