O presidente do Banco BPI, Fernando Ulrich, considerou hoje que Portugal está a trabalhar bem para evitar que seja necessário outro pacote de ajuda internacional ao país, destacando que há consenso político sobre a vantagem de tal não acontecer.

«O país está certamente a trabalhar [para não ter um segundo resgate], como mostram os excelentes resultados que temos alcançado, designadamente ao nível da melhoria das contas externas, que é um facto verdadeiramente notável. Em tão poucos anos, Portugal ter conseguido alcançar equilíbrio nas contas externas, coisa que já não acontecia há décadas e que é o resultado do trabalho e do esforço de milhões de portugueses [mostra que] seguramente o país está a trabalhar na boa direção», afirmou Ulrich.

O banqueiro falava aos jornalistas, em Lisboa, à margem da cerimónia de entrega dos prémios BPI Seniores, que entregaram 500 mil euros a 19 instituições de todo o país que apoiam pessoas com mais de 65 anos.

«Não vejo qual é a vantagem de falar num segundo resgate. O que eu tenho visto é que a maior parte dos responsáveis políticos, quer no Governo, quer na oposição, entendem que é melhor para Portugal não ter um segundo resgate», realçou.

E acrescentou: «Se está tudo de acordo que é melhor não ter um segundo resgate, o que temos que fazer é trabalhar para não ter um segundo resgate».

Questionado sobre se tem alguma informação sobre a existência de negociações ao nível europeu para um segundo programa de resgate, Ulrich negou.

«Nós estamos a seguir um caminho muito consistente, vamos aguardar pelos resultados do exame da troika que está agora em curso, mas não tenho nenhuma indicação nesse sentido, antes pelo contrário», frisou.

Já sobre o possível impacto do resultado eleitoral das autárquicas em termos da confiança dos investidores no país, o presidente do BPI sublinhou que «nos últimos dias a dívida pública portuguesa melhorou. As taxas de juro baixaram no mercado secundário, inclusivamente, já depois das eleições. Baixaram ontem [segunda-feira] e hoje estão a baixar outra vez».

Por isso, considerou que «o mercado até está a ter uma reação positiva e de confiança em Portugal».

Finalmente, acerca das medidas que vão constar no Orçamento de Estado para 2014, que ainda não são conhecidas, Ulrich considerou que ainda não é o momento de as mesmas serem divulgadas pelo Executivo de Passos Coelho.

«Nós conhecemos o Orçamento [de Estado] quando ele é entregue. O que seria estranho era divulgarem partes do Orçamento aos poucos antes da data de ele ser entregue. O Orçamento é um todo e, por isso, parece-me normal que seja entregue na data que está prevista», afirmou.

E reforçou: «Ainda para mais num momento em que, em virtude do programa de ajustamento, temos este calendário de reuniões com a troika, enfim, seria um pouco estranho estarmos agora a conhecer o Orçamento aos poucos».