Dois anos depois da apresentação do Plano Estratégico dos Transportes (PET), a maioria das reformas anunciadas foi realizada, estando as restantes em desenvolvimento, como a concessão a privados da Carris e do Metropolitano de Lisboa.

A fusão das duas empresas já foi concretizada e o Governo está agora a preparar as condições para iniciar o processo para a sua concessão.

Situação idêntica ocorreu no Porto, com a fusão da Metro do Porto com a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP).

Este programa de equilíbrio operacional das empresas públicas de transportes inclui a redução de quadros efetivos, dos membros dos conselhos de administração, a celebração de novos acordos de empresa e reduções com frota automóvel, custos energéticos e telecomunicações.

A Lusa tentou, sem sucesso, saber junto das empresas qual a real dimensão dessas reestruturações internas.

O Governo concluiu entretanto o processo de privatização da ANA ¿ Aeroportos de Portugal e, no anteprojeto das Grandes Opções do Plano (GOP) para 2014, afirma que a reprivatização da TAP será «relançada brevemente», sem adiantar datas.

O PET estabeleceu ainda o fim do novo aeroporto de Lisboa e da alta velocidade (TGV), que representava um investimento de 2,3 mil milhões de euros, a preços de 2010.

Na ferrovia, o contestado encerramento de cerca de 600 quilómetros de linhas ferroviárias foi concluído quase na íntegra: o Governo recuou apenas na Linha do Oeste e na Linha do Vouga, que ficaram a funcionar.

Foram assim encerradas as linhas do Corgo, do Tâmega, do Leste, do Tua, de Vendas Novas, o Ramal da Figueira da Foz e a ligação Beja - Funcheira.

Foi também encerrado o Ramal de Cáceres, passando o Lusitânia Expresso ¿ o único comboio de passageiros que circulava naquela linha ¿ a circular em conjunto com o Sud-Express pela linha da Beira Alta.

Ainda na ferrovia, a CP ¿ Comboios de Portugal deixou de assegurar o serviço rodoviário alternativo que mantinha em várias regiões onde as linhas ferroviárias estavam com circulação suspensa, mantendo-o apenas na linha do Tua.

O PET foi apresentado a 07 de outubro de 2011 pelo Governo como sendo «o caminho a seguir» para «tornar o setor financeiramente equilibrado e comportável para o país».

No documento, o executivo afirmava que os níveis de endividamento das empresas de transportes públicos tinham triplicado nos dez anos anteriores, atingido em 2010 os 16,7 mil milhões de euros.

«Se não forem introduzidas fortes reformas estruturais neste setor, as projeções [...] indicam que no final do horizonte deste programa (2015) atingiremos um endividamento estimado de mais de 23 mil milhões de euros», lê-se no PET.

O plano foi largamente contestado por sindicatos e funcionários, que temiam pelos seus empregos.

Uma delegação da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans) chegou mesmo a entrar no Ministério da Economia para exigir uma reunião com o ministro.