O presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, disse esta quarta-feira que «vê com bons olhos» o pedido do Presidente da República para um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS.

«Vejo com bons olhos o apelo ao sentido de responsabilidade dos partidos e dos dirigentes políticos que leva à estabilidade e à retoma do crescimento», disse o líder dos patrões.

António Saraiva recordou, citado pela Lusa, que os três partidos a que Cavaco Silva propôs hoje um «compromisso de salvação nacional» são os mesmos que assinaram o memorando de entendimento com a troika e que, se tal compromisso fosse conseguido, isso seria um garante de «maior estabilidade política» e dava «credibilidade» ao país até à realização de eleições legislativas antecipadas em 2014.

O presidente da CIP deixou também ele um apelo aos três partidos e aos seus dirigentes para que «estejam à altura da responsabilidade que assumiram e que façam parte da solução».

Também o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, elogiou a proposta do Presidente.

«Um acordo amplo para o cumprimento do memorando da troika e, sobretudo, para um conjunto de reformas políticas de que o país precisa (¿) seria muito desejável para Portugal e, nesse sentido, o esforço do presidente da República é meritório», declarou João Machado à agência Lusa.

O presidente da CAP destacou ainda o facto de, com esta proposta, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, corresponder também à vontade demonstrada pelo PS de eleições antecipadas, embora não para já.

Questionado sobre se há condições para concretizar a proposta de «compromisso de salvação nacional» de Cavaco Silva, João Machado, foi prudente: «Temos de ver nos próximos dias, se os partidos políticos estão disponíveis para aceitar esta responsabilidade acrescida ou se, pelo contrário, não estão, e se a responsabilidade do Presidente da República não for aceite terá que haver qualquer outra solução».

Já o presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), João Vieira Lopes, mostrou-se preocupado com a falta de soluções para ultrapassar a crise económica, considerando que as propostas do Presidente da República em nada alteram a situação.

«Não vemos como é que há condições para alterar esta política económica, que nos está a levar para o abismo, independentemente de tudo o que se está a passar em termos políticos. Nós temos um conjunto de propostas, mas, neste momento, nem percebemos exatamente qual é o formato atual do Governo», comentou o presidente da CCP.

Para João Vieira Lopes, «o grande problema que se põe é alterar o rumo da política económica», e o discurso de Cavaco Silva não trouxe soluções.

«Promover entendimentos estratégicos entre forças políticas, toda a gente está de acordo. O que nos parece é que, no caso de não se encontrar uma saída para uma alteração significativa da política económica, continuaremos em recessão, com o encerramento de empresas e aumento do desemprego», acrescentou o dirigente da CCP.