Pedro Passos Coelho disse esta quinta-feira que o Governo conseguiu resultados para iniciar um novo ciclo virado para o investimento e que afastam uma espiral recessiva, mas defendeu que é preciso manter o rumo da consolidação orçamental.

Durante o debate da moção de censura do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), ao Governo, Pedro Passos Coelho acusou a oposição de irrealismo e irresponsabilidade e descreveu a atuação do executivo PSD/CDS-PP como de «recuperação da credibilidade e da confiança, alicerçada numa estratégia económica e diplomática com cabeça, tronco e membros», alegando que isso «já trouxe ganhos muitíssimo importantes para os portugueses».

Como exemplo, apontou as alterações às condições dos empréstimos a Portugal em termos de juros e prazos de pagamento. «Hoje estamos em condições de dizer ao país que tudo isso representa uma poupança acumulada para os próximos 30 anos de 54,5 mil milhões de euros», referiu, recebendo palmas das bancadas da maioria.

«A coesão reforçada da maioria parlamentar e o espírito reformista do Governo são o ponto de que partimos para iniciar uma nova fase do nosso ajustamento, um novo ciclo virado para o investimento e para dar mais força aos sinais positivos que nos chegam do lado economia», afirmou, citado pela Lusa.

Segundo o primeiro-ministro, «a produção industrial cresce agora sustentadamente, as vendas de automóveis estão em recuperação, as manifestações de investimento estrangeiro para o segundo semestre deste ano ultrapassam os 500 milhões de euros, os níveis de confiança dos portugueses e dos empresários estão aumentar sucessivamente, a poupança nacional aumenta e atinge valores finalmente consentâneos com o financiamento sustentável do investimento, e isso significa que o necessário desendividamento de famílias e empresas prossegue a bom ritmo».

«As exportações crescem com consistência, sendo Portugal o terceiro país da zona euro com maiores ganhos de quota de mercado; e os excedentes externos acumulam-se, facto que desmente todos os que condenavam o país a uma dívida externa descontrolada. E, como corolário de todos estes sinais, é cada vez mais provável que, no segundo trimestre, terminado em junho passado, tenhamos registado crescimento económico, precisamente aquilo por que todos os portugueses têm, justamente, ansiado», acrescentou.

«Com estes novos dados, creio que ficam ultrapassados os receios de uma espiral recessiva», concluiu.

Logo em seguida, contudo, Passos Coelho, deixou uma advertência, reiterando a defesa da consolidação orçamental: «No entanto, os riscos de um processo desse tipo só serão definitivamente menorizados se mantivermos o rumo. Que não haja equívoco quanto ao que significa esse rumo: é o rumo da consolidação orçamental, da conclusão do programa de assistência de modo controlado e credível, das reformas estruturais, do equilíbrio das contas externas e do crescimento sustentado».

Antes, o também presidente do PSD reclamou que o Governo de coligação com o CDS-PP herdou problemas sem precedentes e fez «o que era necessário para salvar o país de um colapso económico e social de consequências devastadoras», sem agir em função da «agenda político-mediática», e conseguiu poupanças nas parcerias público-privadas (PPP), nas energia e nas dívidas da saúde.

«Só uma oposição cega não vê nesta política e nestes resultados a ação para a justiça, para a equidade, para a sensatez financeira e para a racionalidade económica como nunca houve em Portugal», disse.