A agência Moody's considera que o regresso de Portugal aos mercados será agora mais difícil, mas que no rating dado a Portugal já é assumido com grande probabilidade a necessidade de um segundo resgate.

«A Moody's está a acompanhar os desenvolvimentos políticos em Portugal. Claramente, a demissão ministerial cria incerteza política e incerteza sobre o curso da política orçamental daqui em diante. A capacidade de Portugal de regressar aos mercados de capitais como planeado é também mais incerta na atual conjuntura», afirma Kathrin Muehlbronner, analista que segue Portugal e vice-presidente da agência de notação financeira, cita a Lusa.

A analista diz também que a próxima revisão do Programa de Assistência Económica e Financeira (que ainda tem início marcado para 15 de julho) será muito importante para a agência, que mantém ainda o rating [avaliação] de Portugal no terceiro nível após a chamada escala de investimento, no qual a dívida já é considerada como «lixo».

A Moody's diz que a nota que dá à dívida pública portuguesa já reflete as dificuldades de implementação inerentes ao programa de consolidação orçamental e de reformas estruturais e que «sempre assumiu uma grande probabilidade de Portugal poder precisar de mais apoio externo para além do atual programa».

Pedro Passos Coelho anunciou na terça-feira que tenciona manter-se como primeiro-ministro, numa declaração ao país, feita na sequência do pedido de demissão de Paulo Portas do cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Na mesma declaração, o primeiro-ministro disse que não aceitou o pedido de demissão de Paulo Portas, pelo que não propôs a exoneração ao Presidente da República do ministro dos Negócios Estrangeiros.

Pedro Passos Coelho comunicou a intenção de esclarecer as condições de apoio político ao Governo de coligação com o CDS-PP e o sentido da demissão do ministro Paulo Portas.