O ex-ministro das Finanças, Henrique Medina Carreira, disse esta quarta-feira no jornal das 8, da TVI, que nunca pensou que «o país se transformasse num manicómio», num sítio «de loucos».

Instado a comentar a atual situação política do país - após a demissão de Vítor Gaspar e Paulo Portas - Medina Carreira foi perentório: «Nunca pensei que pudéssemos chegar a este ponto, em que um país se transforma num manicómio, num país de loucos», começou por dizer, para depois acrescentar: «a crise política é preocupante».

O também comentador da TVI considerou que «as pessoas não tem consciência do perigo «muito grande» que esta crise no Governo acarreta. «Se formos para eleições já, só haverá Governo daqui a 6 meses. Se fosse na primeira metade do ano que vem, já não era contra. Mas neste momento seria uma bomba. Ora, se temos de elaborar um Orçamento, a apresentar até 15 de outubro (que tem de ser preparado três meses antes) então - se não houver Governo - quem o vai preparar?», questionou.

Medina Carreira defendeu ainda que «se dermos um passo em falso, entramos no percurso da Grécia. As bolsas (os mercados) deram (hoje) um sinal muito grande disso».

«Um estado falido não se recompõe em três anos, leva 10 ou 15 anos para concertar as contas», acrescentou ainda o responsável, que acredita que o Estado só tem dinheiro - sem défices, com este Governo - se gastar no máximo 70 mil milhões de euros.

Mais: na opinião do comentador, os cortes de 4,7 mil milhões de euros representam apenas «metade do (esforço) que se tem de fazer». Logo, o «país anda enganado», sobretudo porque «vamos ter de mexer nos salários e pensões».

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