Maria Luís Albuquerque, até aqui secretária de Estado do Tesouro, é a nova ministra das Finanças. A governante substitui Vítor Gaspar que saiu esta 2ª feira do Governo.

De acordo com a página da Presidência da República na Internet, o Presidente aceitou já a exoneração do ministro de Estado e das Finanças, «a seu pedido», e a sua substituição por Maria Luís Albuquerque, propostas pelo primeiro-ministro.

Maria Luís Albuquerque vai tomar posse na terça-feira, às 17:00, no Palácio de Belém.

Vítor Gaspar era, formalmente, «o número dois do Governo», sendo «o terceiro» elemento do executivo PSD/CDS-PP o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. Com esta alteração, Portas passa a «número dois» e Maria Luís Albuquerque a terceira figura do Executivo.

Esta foi a segunda saída de um ministro do XIX Governo Constitucional, depois da demissão de Miguel Relvas do cargo de ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, em abril.

Com a exoneração de Vítor Gaspar, caem automaticamente os restantes secretários de Estado do Ministério das Finanças: Luís Morais Sarmento, secretário de Estado do Orçamento, Manuel Rodrigues, secretário de Estado das Finanças, Paulo Núncio, dos Assuntos Fiscais, e Hélder Rosalino, da Administração Pública.

Perfil da nova ministra

Maria Luís Albuquerque nasceu em Braga em 1967. Licenciou-se em Economia na Universidade Lusíada de Lisboa em 1991 e é mestre em Economia Monetária e Financeira pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa desde 1997.

Foi técnica superior na Direcção-Geral do Tesouro e Finanças entre 1996 e 1999, técnica superior do Gabinete de Estudos e Prospectiva Económica do Ministério da Economia entre 1999 e 2001, desempenhou funções de assessora do Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças em 2001, foi Diretora do Departamento de Gestão Financeira da Refer entre 2001 e 2007 e coordenou o Núcleo de Emissões e Mercados do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público entre 2007 e 2011.

Foi docente na Universidade Lusíada de Lisboa, no Instituto Superior de Economia e Gestão e no polo de Setúbal da Universidade Moderna entre 1991 e 2006.

Enquanto administradora da CP, foi responsável pela assinatura de alguns dos polémicos contratos swap mas os contratos que assinou são considerados de risco baixo.

Nos dois anos que leva de Governo, Maria Luís Albuquerque teve a seu cargo privatizações, como as da EDP e da REN e tem na sua agenda o regresso de Portugal aos mercados de dívida. Como secretária de Estado do Tesouro, tem sido responsável pelos roadshows junto dos investidores, que permitiram ao país colocar dívida de longo prazo, pela primeira vez desde o pedido de resgate financeiro internacional.

Passos confia na nova ministra

Fonte do gabinete do primeiro-ministro garantiu à Lusa que Maria Luís Albuquerque «foi a primeira escolha» para substituir Vítor Gaspar e para isso contribuiu o facto de ser «uma pessoa da total confiança do primeiro-ministro».

Passos Coelho entende que Maria Luís Albuquerque «está totalmente identificada com o projeto que tem vindo a ser seguido pelo Governo e dá garantias de que o programa de ajustamento continuará a ser cumprido».

Enquanto secretária de Estado, Maria Luís Albuquerque, «participou em conjunto com o ministro das Finanças em todas as reuniões do Eurogrupo e do Ecofin», e «é, neste momento, a pessoa que está em melhor posição para continuar» a política financeira do Governo nas instâncias europeias.

A mesma fonte rejeitou qualquer relação entre a polémica em torno dos swap e a entrada de Maria Luís Albuquerque para as Finanças, salientando que, pelo contrário, Passos lhe atribui um papel positivo neste processo enquanto governante.