A Grécia inicia esta quarta-feira as negociações técnicas com a Comissão Europeia (CE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), sob o alerta de que será preciso um acordo para que seja emprestado mais dinheiro a Atenas.

No final da reunião dos ministros das Finanças da zona euro de segunda-feira, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que será preciso um acordo para ser emprestado mais dinheiro a Atenas – alerta que reafirmou na terça-feira -, numa altura em que o país se debate com problemas de tesouraria para fazer face às obrigações financeiras.

No mês passado, recorda a Lusa, os ministros decidiram prolongar o programa de ajustamento da Grécia até junho, desde que Atenas apresentasse as reformas que necessita de fazer, mas Jeroen Dijsselbloem acusou Atenas de perder tempo.

«Passámos duas semanas a discutir quem, onde e como decorrem as reuniões, isso é uma completa perda de tempo», afirmou o também ministro das finanças holandês na segunda-feira.

«Acordámos hoje que não há mais tempo a perder. As discussões entre o governo grego e as instituições vão começar na quarta-feira [hoje] em Bruxelas. Em paralelo, equipas técnicas das instituições vão a Atenas», anunciou Jeroen Dijsselbloem na altura.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, garantiu, nas eleições de janeiro, que as instituições – anteriormente apelidadas de troika – não regressariam a Atenas, e prometeu a renegociação da dívida e o fim das medidas de austeridade, impostas sob os dois programas de ajustamento desde 2010.

O ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis, insistiu que Atenas não perdeu tempo e que aguarda com expectativa o início das negociações técnicas de hoje.

Na semana passada, Yanis Varoufakis enviou uma carta ao Eurogrupo apresentando sete medidas, que incluem planos para reduzir a burocracia, aumentar a receita fiscal proveniente do jogo online e contratar um conjunto de inspetores fiscais amadores – incluindo turistas – para detetar fuga ao fisco.

A Grécia já se mostrou disponível para apresentar propostas adicionais aos credores internacionais, nomeadamente no combate à fraude e à evasão fiscal.