O Governo esclareceu esta quarta-feira que os dados fornecidos ao FMI sobre as reduções nos salários «corresponderam exatamente ao que foi solicitado por esta entidade» e esclarece que se trata de «um subgrupo da informação completa», ou seja, de «dados parciais».

Em comunicado enviado às redações, após uma notícia do «Jornal de Negócios», o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social refere que, «no caso dos dados fornecidos ao FMI [Fundo Monetário Internacional], estes corresponderam exatamente ao que foi solicitado por esta entidade», acrescentando que «os dados que foram pedidos são apenas um subgrupo da informação completa (...) são dados parciais».

De acordo com o jornal, o relatório da sétima avaliação ao programa de assistência a Portugal do FMI, publicado em junho, contém gráficos para retratar a evolução dos salários em Portugal e defender a importância de mais cortes no setor privado que têm por base dados deturpados.

Mas a base de dados usada, que foi retirada da Segurança Social, não contabiliza milhares de observações que davam conta de um aumento significativo do número de reduções salariais em Portugal tanto em 2009 como no ano passado.

Em 2009, das 18.600 observações, ficaram de fora da amostra 2.300, ou seja, 13% da amostra, ao passo que, em 2012, foram excluídas dos cálculos cerca de 4.000 observações, o equivalente a quase um quarto da amostra.

A instituição liderada por Christine Lagarde já sabe do problema, tendo explicado que se limitou a usar a informação fornecida pelo executivo.

No comunicado enviado pelo gabinete do Ministério de Pedro Mota Soares, o executivo explica que o envio de «dados parciais» é «uma metodologia seguida» e que «não escamoteia quaisquer dados, tendo sido inclusive utilizados em apresentações públicas ao longo de 2012 dentro do contexto em que se inserem».

«Estes dados são utilizados por instituições como o Banco de Portugal, o INE [Instituto Nacional de Estatística], e pelas instituições da troika [FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia], para fazerem análises sobre o funcionamento e desenvolvimentos do mercado de trabalho. As análises e conclusões que são feitas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores», lê-se ainda no comunicado.