O Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda vê espaço para aumentar impostos em Portugal, pelo menos sobre os mais ricos. No relatório «Fiscal Monitor», o Fundo sugere aumentar a taxa de IRS sobre os rendimentos mais elevados dos atuais 48% para 60%.

Atualmente, a taxa de IRS máxima, que é de 48%, é aplicada aos rendimentos superiores a 80 mil euros anuais. Uma taxa que o Fundo diz que pode subir, para 60% ou ligeiramente mais, sem provocar quebra da receita fiscal.

Mas as contas do fundo parecem não ter em conta a sobretaxa de 3,5% no IRS e a taxa adicional de solidariedade, que é aplicada à parte do rendimento coletável que exceda os 80 mil euros e que é de 2,5% para rendimentos entre 80 mil e 250 mil euros e de 5% acima desse valor.

Olhando para o conjunto da Europa, o FMI vê potencial para aumentar impostos em vários outros países, de Espanha, Alemanha e Reino Unido à Noruega. A exceção é a Suécia, que já está no limite.

Mas as sugestões de aumento da carga fiscal para o nosso país não se ficam pelo IRS: a instituição vê também espaço para maior tributação de imóveis e taxas ligadas ao ambiente, uma vez que nos impostos sobre o consumo, como IVA e ISP, Portugal foi já mais longe do que se esperava. Portugal é, aliás, o país com maior potencial de aumentos, entre os 15 países analisados: qualquer coisa como 3 mil milhões de euros ou 1,9% do PIB.

«Poucos países aumentaram de forma significativa os impostos sobre a propriedade como parte dos seus esforços de consolidação, embora a melhoria da estrutura desses impostos, as taxas ou ambos, continuem a ser o foco das reformas na Grécia, Irlanda e Portugal», escreve o Fundo no relatório.