O diretor-geral adjunto do FMI, David Lipton, apelou hoje para que seja criada uma reserva de dinheiro para a Irlanda, para o caso de ser necessário depois de o país sair do programa de resgate da "troika".

«A Irlanda tem feito tudo para estabilizar a sua economia, mas está enfraquecida ao nível macroeconómico [...]. Apoiamos um pacote, que coloque à disposição dinheiro em caso de emergência - mesmo que partamos do princípio que este caso de emergência não surgirá», afirmou David Lipton, numa entrevista publicada no diário alemão Die Welt.

Segundo o responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), a «troika» (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) «deve apoiar a Irlanda com medidas cautelares».

«Esta será a forma de construir o sucesso», argumentou David Lipton.

A Irlanda saiu da recessão no segundo trimestre e deverá sair do programa de ajuda, pedido em novembro de 2010 e no valor de 85.000 milhões de euros, a 15 de dezembro.

Dublin estuda a possibilidade de acolher um segundo programa de ajuda ou «linha de crédito preventiva», como o denomina o governo de coligação entre conservadores e trabalhistas.

Ainda que Dublin e Bruxelas já tenham mantido contactos para explorar este cenário, o ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, considera que o país poderia não precisar de mais assistência económica internacional.

O titular das finanças disse, no início desta semana, que a Irlanda tem cobertas as necessidades de financiamento até 2015, com uma reserva de «cerca de 25.000 milhões de euros».

Noonan sublinhou também que a taxa de juro dos títulos irlandeses a dez anos reduziu-se no espaço de um mês «de 4% para cerca de 3,5%», o que demonstra que «os mercados têm confiança» na economia.