O chefe de missão do FMI para Portugal deixou o aviso, em entrevista ao Financial Times: os desafios estruturais com que o país se depara podem significar mais de uma década de ajustamentos e reformas, mesmo depois da saída da troika.

«As distorções na economia foram construídas ao longo de décadas e é irrealista pensar que podem ser removidas em três anos de programa de ajustamento ou que o processo de reforma possa ser imposto do exterior», avisa Subir Lall.

O responsável aproveitou ainda para enviar um recado aos partidos: «Mudar a forma como a economia responde e ultrapassar a inércia requer um esforço continuado e terá de ser feito, independentemente de qual o partido político que estiver no poder».

Relativamente à decisão do Tribunal Constitucional, que deverá ser conhecida ainda esta quinta ou sexta-feira, relativamente ao regime da convergência de pensões, Subir Lall diz acreditar que, do ponto de vista fiscal, o Governo conseguirá colmatar o «buraco orçamental» caso a medida seja chumbada.

Para o responsável, Portugal teve um ajustamento fiscal bastante surpreendente: «Dois terços do ajustamento já foram conseguidos. A restante consolidação terá lugar em 2014 e 2014, o que significa que que o esforço de consolidação vai agora ser menor do que foi em 2011 e 2013», remata.