O FMI considera que serão necessários mais ajustamentos estruturais em Portugal em 2015 e nos anos seguintes, até porque a equipa que conclui a 8ª e 9ª avaliações considera que a agenda da reforma pode não ser suficientemente ambiciosa.

O apoio dos parceiros europeus, considera o relatório, continuará a ser importante para assegurar os desafios financeiros a médio prazo. A vigilância financeira deverá, no entender do FMI, continuar a ser realizada.

No mercado laboral, o FMI revela que alguns salários no setor público se mantêm num patamar elevado, face aos níveis de produtividade, garantindo que este será um dos temas prioritários da 10ª avaliação do programa português.

O FMI explica que as discussões sobre a 8ª e 9ª avaliações da troika foram adiadas por causa da crise política, com um compasso de espera devido ao chumbo do Tribunal Constitucional de algumas das medidas previstas. As discussões focaram-se nas medidas necessárias para que o programa continue a bom ritmo.

Apesar de a perspetiva económica ser de melhoria, o relatório sublinha que os riscos de implementação das medidas são altos e a coesão política continua crítica, com o risco acrescido de o Tribunal Constitucional declarar a inconstitucionalidade de algumas das medidas, ou seja, para a troika, a margem de manobra do programa de ajustamento é «muito limitada».

O documento sublinha o crescimento da atividade económica e a descida da taxa de desemprego, apesar de lembrar que esta continua a ser das mais altas da zona euro. É assinalado também o crescimento «robusto» das exportações, enquanto os custos unitários do trabalho baixaram.

O FMI projeta agora uma contração da economia de 1,8%, menos 0,5% do que o inicialmente previsto, com o desemprego nos 17,4%, ao invés do estimados 18,2%. Diz o relatório que a retoma deverá ser gradual, a partir do próximo ano, com 0,8% de crescimento em 2014 e uma taxa de desemprego de 17,7%.

O documento indica ainda que o défice é maior do que o inicialmente previsto e que as previsões não são claras. No caso das reformas fiscais, as dificuldades apontadas são essencialmente no setor da saúde.

O chefe de missão do FMI para Portugal rejeita que haja um número mágico para o regresso de Portugal aos mercados. Subir Lall refere, no entanto, que o país enfrenta um caminho muito estreito para conseguir financiar-se sem ajuda externa.