O presidente do Eurogrupo disse esta quarta-feira que os bancos em dificuldades só podem contar com Bruxelas «em último recurso», sendo primeiro chamados os acionistas, e que o envelope disponível para a banca no fundo de resgate é «uma mensagem política».

«Não sabemos qual vai ser a fatura [que resultar dos testes de 'stress' que vão ser feitos aos grandes bancos europeus]. E temo não ter muito a oferecer. O Eurogrupo garantiu 60 mil milhões de euros ao envelope que o fundo do Mecanismo de Estabilidade Europeu pode consagrar à recapitalização dos bancos. Este número é logo à partida uma mensagem política: só vamos intervir em último recurso», afirmou Jeroen Dijsselbloem, citado pelo jornal francês «Le Fígaro».

O presidente do Eurogrupo, que foi hoje entrevistado por cinco jornais europeus, incluindo o «Le Fígaro», disse que «a recapitalização direta será possível no final do verão de 2014, se o calendário se mantiver».

«Mas, na Europa, não vejo apoio político para tornar isso retroativo, como podem desejar Atenas ou Madrid. Por isso, o reforço do capital dos bancos será, em primeiro lugar, um assunto dos acionistas e dos investidores privados», acrescentou.

O Banco Central Europeu (BCE) vai passar a assumir a gestão e controlo dos testes de 'stress' aos principais bancos europeus, depois de os últimos terem sido realizados pela Autoridade Bancária Europeia e terem sido criticados por não terem detetado problemas em alguns bancos que vieram a precisar de ajuda.

No início do próximo ano, o BCE vai avaliar cerca de 130 instituições consideradas como «sistémicas».

O presidente do Eurogrupo disse ainda que, «desta vez», o BCE vai produzir ele próprio a radiografia dos maiores bancos europeus e vai «assumir a fiscalização diária destes resultados».

«A regra do jogo mudou: o reforço do balanço [dos bancos] ou a sua liquidação se se revelar necessária será em primeiro lugar uma responsabilidade do próprio banco, seguindo-se as autoridades nacionais e, apenas por último, os fundos europeus de resgate e de resolução», explicou.

Já o jornal britânico «The Guardian», que também entrevistou o presidente do Eurogrupo, refere que Dijsselbloem entende que não é ainda claro que instituição europeia terá capacidade para resolver ou fechar bancos europeus falidos, defendendo que essa nova autoridade tem de ser «decisiva, eficaz e imparcial».

«Não está completamente decidido como é que essa autoridade deve ser. O mais importante é que seja decisiva. Temos de ser capazes de decidir numa noite ou num fim de semana», afirmou, citado pelo «The Guardian», considerando também que «as autoridades de supervisão e de resolução bancárias não podem ser a mesma».