O Eurogrupo, reunido em Bruxelas, felicitou Portugal pela conclusão bem sucedida do programa de ajustamento e manifestou o seu apoio à opção pela «saída limpa», mas deixou também vários alertas sobre os desafios que subsistem.

Na declaração adotada pelo fórum de ministros das Finanças da zona euro, o Eurogrupo destaca o compromisso reafirmado pelas autoridades portuguesas de manter a consolidação das finanças públicas e as reformas no médio prazo, de modo a dar resposta às vulnerabilidades subsistentes.

Nesse sentido, indica a declaração, é necessária uma «política orçamental prudente», em áreas como as reformas dos salários do setor público e das pensões, de modo a assegurar a efetiva correção do défice excessivo já no próximo ano e manter a dívida em curva descendente.

Apontando que é necessário prosseguir os esforços no sentido de um financiamento privado adequado da economia, o Eurogrupo insta também as autoridades a manterem os seus esforços de implementação de reformas estruturais, que permitam uma maior capacidade à economia portuguesa de criar postos de trabalho e crescimento, enfrentando «rigidezes» ainda existentes, incluindo no mercado de trabalho.

«O Eurogrupo vai continuar a apoiar a continuação do processo de reformas em Portugal», também no quadro da vigilância pós-programa, apontam os ministros das Finanças da zona euro, que reiteram a importância de um apoio alargado, no país, a uma agenda de reformas.

A declaração adotada pelo Eurogrupo reflete na prática as ideias que o presidente do fórum, Jeroen Dijsselbloem, já deixara à entrada para a reunião, ao início da tarde, quando defendeu que Portugal «tomou a decisão certa ao optar» por uma saída sem programa cautelar, mas advertiu que continuam a existir obrigações e que «não se pode gastar dinheiro que não se tem».