O presidente da Comissão Europeia sublinhou esta sexta-feira, em Vilnius, a importância de Portugal continuar a mostrar a mesma determinação na implementação do programa de ajustamento, advertindo que os mercados reagem com nervosismo a qualquer sinal que aponte no sentido contrário.

«Ainda não saímos da crise. Devemos evitar qualquer género de complacência. E a simples sugestão de que um governo que tem vindo a implementar com determinação o programa negociado com a UE e o FMI estava em risco, essa simples sugestão criou algum nervosismo nos mercados. Acho que é muito importante que toda a gente perceba isso», declarou José Manuel Durão Barroso, numa conferência de imprensa na capital da Lituânia, transmitida em Bruxelas.

O presidente do executivo comunitário, que falava numa conferência de imprensa conjunta com a presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, em Vilnius, por ocasião do «arranque» da presidência lituana da União Europeia (no segundo semestre deste ano), ao ser questionado sobre os recentes acontecimentos na Grécia e em Portugal, comentou que, a seu ver, «é claro que a reação dos mercados se deveu ao facto de que poderia haver enfraquecimento da determinação desses países em termos de consolidação orçamental e reformas estruturais».

Reiterando que a Europa, e em particular os países mais vulneráveis, devem prosseguir as necessárias reformas estruturais e os esforços de consolidação orçamental, acompanhados de medidas para investimentos que promovam o crescimento e o emprego, Durão Barroso reforçou aquela que considera ser a «lição a retirar de acontecimentos como aqueles verificados em Portugal nos últimos dias, com as dúvidas suscitadas sobre a coligação governamental».

«Mas insisto: para mim, a maior lição (a retirar) dos recentes desenvolvimentos, nomeadamente no meu próprio país, são os perigos que existem se houver qualquer género de sinal que leve ao sentimento de que a determinação na correção de certos desequilíbrios de certa forma já não existe», finalizou.

O líder do CDS-PP (parceiro de coligação do PSD no Governo), Paulo Portas, apresentou na terça-feira o seu pedido de demissão de ministro dos Negócios Estrangeiros ao primeiro-ministro, uma decisão que classificou como «irrevogável» e que justificou com a discordância na escolha de Maria Luís Albuquerque para a pasta das Finanças, depois da demissão de Vitor Gaspar, anunciada na segunda-feira.

O primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, e Paulo Portas já se reuniram três vezes desde a noite de quarta-feira, tendo o chefe de Governo afirmado que «será encontrada uma forma de poder garantir o apoio político do CDS ao Governo e nessa medida garantir a estabilidade política do país».

Na terça-feira à noite, numa declaração ao país, Pedro Passos Coelho anunciou que tencionava manter-se como primeiro-ministro e disse que «seria precipitado» aceitar de imediato o pedido de demissão de Paulo Portas, pelo que não propôs a exoneração ao Presidente da República do ministro dos Negócios Estrangeiros.

Na quarta-feira, o secretário-geral do PS foi recebido em audiência pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no Palácio de Belém, ocasião em que defendeu a realização de eleições legislativas antecipadas a 29 de setembro próximo, ou seja, no mesmo dia das eleições autárquicas.