O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, garante que não está a ser preparado nenhum novo programa de resgate para Portugal.

«Contrariamente a notícias que vi, não há qualquer preparação, por parte das entidades da União Europeia ou do FMI [Fundo Monetário Internacional], qualquer preparação de um outro programa. Estamos é concentrados na implementação deste programa, e é aí que nos devemos concentrar. Aliás, esse é o interesse, estou seguro, quer de Portugal, quer dos países da zona euro e da União Europeia no seu conjunto», disse o presidente do executivo comunitário.

José Manuel Durão Barroso, que falava em conferência de imprensa, foi questionado sobre os resultados das eleições autárquicas de ontem, e se o Governo não saía fragilizado perante os seus credores, dada a vitória do PS, aproximando assim Portugal de um segundo resgate.

Na resposta, Durão Barroso disse que segue «muito de perto a situação» no país, tendo mesmo votado, mas disse não poder comentar eleições autárquicas «em Portugal, nem em nenhum país da UE [União Europeia]».

«O que quero dizer é o seguinte: a Comissão Europeia continua a trabalhar com as autoridades portuguesas para tudo fazer no sentido de se assegurar o cumprimento do programa de ajustamento económico, que é essencial para Portugal poder de facto regressar aos mercados, e continuamos confiantes nesse objetivo. Esperamos, obviamente, que todos os esforços sejam agora levados a cabo, em Portugal, pelo Estado português no seu conjunto, pelas diferentes forças políticas, para garantir esse objetivo. É isso que esperamos, sinceramente», declarou.

No sábado, a Comissão Europeia já tinha afastado estar a trabalhar num segundo programa de assistência a Portugal, tendo o porta-voz dos Assuntos Económicos afirmado à Lusa que o cenário de um novo pacote de ajuda não está em cima da mesa, «nem parcialmente nem de qualquer outra forma».

No mesmo dia, o Ministério das Finanças disse, em comunicado enviado às redações, que «o Governo está a trabalhar com os representantes da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional no âmbito da atual missão em curso para garantir a sua conclusão com sucesso nos próximos dias», negando a existência de «negociações ou referências de qualquer tipo em relação a um segundo programa de resgate a Portugal».