O presidente da Comissão Europeia adverte os Governos dos Estados-membros para os riscos de natureza política que agora ensombram a retoma da economia do Velho Continente. Para Durão Barroso, o maior risco é mesmo de natureza política, porque os Governos podem arruinar a estabilidade que os mercados precisam para voltar a confiar na Europa.

Em declarações ao jornal francês «Le Fígaro», Barroso afirma que «no actual estado de coisas, sendo a retoma frágil, o maior risco de deterioração que eu vejo é de natureza política, e o papel dos governos é de garantir a segurança e a previsibilidade de que os mercados ainda necessitam. A constância é o que há de mais importante».

Numa antecipação das eleições europeias, agendadas para daqui a oito meses, o presidente sublinha que «a polarização que pode resultar da crise é uma ameaça» para a união na Europa.

«A questão que se coloca é então a seguinte: que imagem da Europa será apresentada aos eleitores? A versão sincera ou a versão caricatural? Os mitos ou os factos? A versão honesta e razoável, ou a versão extrema e populista? A diferença é importante. Daqui a oito meses, os eleitores decidirão. Hoje, cabe-nos a nós defender a Europa», lembra.

No plano económico, Durão Barroso vê bons sinais: «A retoma está à vista» e os europeus têm «boas razões» para estarem confiantes.

«A minha mensagem não é ambígua: estes sinais positivos devem incentivar-nos a não diminuir os nossos esforços», nomeadamente em «concretizar a união bancária» e «criar o crescimento necessário para evitar o cenário de uma retoma sem criação de empregos».